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Wanessa Zagner

Dia 1º de janeiro de 2027: seis mudanças tributárias que exigem atenção

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Durante muito tempo, falar sobre Reforma Tributária significou discutir um cenário que ainda parecia distante. Essa percepção já não é mais possível. O dia 1º de janeiro de 2027 representa uma das principais viradas do período de transição para o novo sistema tributário brasileiro.

Embora 2026 funcione, em grande medida, como um ano de teste e adaptação para IBS e CBS, 2027 traz mudanças efetivas capazes de impactar formação de preços, contratos, créditos tributários, fluxo de caixa, sistemas internos e decisões estratégicas das empresas.

A primeira grande mudança é a entrada efetiva da CBS, a Contribuição sobre Bens e Serviços, que substituirá a tributação federal hoje concentrada em PIS e Cofins. Para 2027 e 2028, a legislação prevê a cobrança da CBS pela alíquota de referência, com redução de 0,1 ponto percentual.

A segunda é justamente a extinção do PIS e da Cofins. Não se trata apenas da troca de nomes de tributos. A CBS integra uma nova lógica de tributação sobre o consumo, o que exige das empresas uma revisão cuidadosa da forma como apuram tributos e créditos e estruturam suas operações.

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A terceira mudança é o avanço do IBS. Em 2027 e 2028, o imposto será cobrado à alíquota total de 0,1%, dividida entre estados e municípios. É o início de uma transição que, nos anos seguintes, avançará gradualmente até substituir ICMS e ISS.

A quarta mudança é a redução a zero do IPI para a grande maioria dos produtos. A exceção envolve produtos relacionados à preservação da competitividade da Zona Franca de Manaus. Para setores industriais, essa alteração precisa ser analisada em conjunto com a entrada dos novos tributos e seus efeitos sobre a cadeia produtiva.

A quinta é a entrada em vigor do Imposto Seletivo. O novo tributo federal foi criado para incidir sobre determinados bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Dependendo do setor econômico, seu impacto poderá atingir não apenas a carga tributária, mas também preços, margens e decisões comerciais.

A sexta mudança talvez seja menos visível, mas não menos importante: a consolidação de novas obrigações e rotinas fiscais relacionadas ao IBS e à CBS. A partir de 2027, por exemplo, determinadas pessoas físicas contribuintes da CBS passam a ter obrigação de inscrição no CNPJ e emissão de documentos fiscais, conforme regulamentação publicada em 2026. O novo sistema exigirá adaptação tecnológica, cadastral, contábil e documental dos contribuintes.

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Para grandes empresas, entretanto, a discussão não pode se limitar a saber quais tributos deixam de existir e quais entram em seu lugar. É preciso avaliar como a nova estrutura afetará contratos vigentes, cadeias de fornecedores, aproveitamento de créditos, políticas comerciais, formação de preços, margens e fluxo de caixa. Uma operação economicamente eficiente sob o sistema atual não necessariamente produzirá o mesmo resultado sob a nova lógica tributária.

Por isso, considero que 2027 não começa em janeiro. Para empresas com operações complexas, contratos de longo prazo e estruturas societárias relevantes, ele já começou. Os próximos meses devem ser utilizados para simulações, revisão contratual, adequação de sistemas e, principalmente, planejamento. A Reforma Tributária será implementada gradualmente, mas as decisões empresariais necessárias para atravessá-la não podem ser deixadas para a última hora.

Quando a mudança tributária chega ao caixa da empresa, o tempo para planejar já passou.

Pela Advogada Tributarista da ZR Advogados, Wanessa Zagner

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Gente que sabe cuidar

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Sempre me impressionou a capacidade humana de aprender com a natureza. Antes mesmo de transformar o que encontra pelo caminho, o ser humano precisou observar. Entender o tempo das águas, reconhecer uma madeira, acompanhar o comportamento dos animais, descobrir os ciclos da terra. Muito do que chamamos de conhecimento começou assim, com alguém disposto a prestar atenção.

Em Mato Grosso, essa relação está diante dos nossos olhos. Pantanal, Cerrado e Amazônia dividem o território e revelam diferentes formas de vida, paisagens e relações construídas entre o ser humano e a natureza. O Pantanal, reconhecido como Patrimônio Mundial Natural, é uma das expressões dessa riqueza, assim como o Cerrado e a Amazônia guardam biodiversidade, histórias e conhecimentos próprios. A grandeza desses lugares não está somente na paisagem que encanta quem chega. Está também nos saberes construídos ao redor dela, nas comunidades, nas tradições e nas diferentes maneiras encontradas pelo ser humano para conviver com ambientes tão extraordinários.

A cultura ajuda a contar essa história. A canoa pantaneira nasceu da necessidade de atravessar as águas e se transformou também em memória e saber tradicional. A viola de cocho encontrou na madeira outro destino e fez dela música, acompanhando manifestações que atravessam gerações. Uma segue pelos rios, a outra pelas melodias. As duas carregam a habilidade de seres humanos que aprenderam a criar sem perder a relação com o lugar onde vivem.

São essas habilidades humanas que também me encantam. Gente capaz de reconhecer aquilo que muitos de nós não perceberíamos. Uma mudança na vegetação, um comportamento diferente de uma espécie, os sinais deixados pela água, pelo fogo, pelo solo e pelo tempo. Existe um universo inteiro diante de nós e existem pessoas que dedicam a vida a compreendê-lo.

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Biólogos, pesquisadores, engenheiros, técnicos, educadores ambientais e culturais, brigadistas, servidores, gestores, guias e tantos outros profissionais fazem parte dessa história. Alguns estão no campo, outros nas universidades, nas instituições, nas unidades de conservação, nos laboratórios ou junto às comunidades. Estudam, pesquisam, ensinam, recuperam, orientam, planejam e ajudam a tomar decisões que interferem diretamente no futuro de lugares que pertencem a todos nós.

Tenho uma admiração especial por quem escolheu esses caminhos. São seres humanos espetaculares, com habilidades incríveis, que transformaram conhecimento em responsabilidade. Pessoas que entenderam que proteger a natureza e preservar a cultura não significam apenas contemplar suas belezas. É preciso conhecê-las, estudá-las, respeitar seus valores e trabalhar para que aquilo que recebemos também possa ser encontrado pelas próximas gerações.

A educação ocupa um lugar fundamental nesse processo. Educadores ambientais e culturais ajudam a construir novas formas de relação com aquilo que nos cerca. Quando alguém compartilha conhecimento sobre um rio, uma espécie, uma floresta, uma música, uma tradição ou um saber popular, também contribui para que outras pessoas reconheçam o valor do que receberam. Conhecer aproxima e desperta pertencimento. Educação, cultura e consciência ambiental se encontram justamente nesse ponto, na capacidade de formar pessoas mais atentas ao patrimônio natural e cultural que atravessa gerações.

A arte chega por outro caminho e encontra o mesmo destino. Uma fotografia pode nos aproximar de uma paisagem. O cinema pode revelar um universo que nunca visitamos. A literatura guarda memórias, a dança preserva gestos e a música consegue transformar em sentimento aquilo que nem sempre sabemos explicar. Ciência, arte e cultura possuem linguagens diferentes, mas todas podem nos ensinar a olhar.

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Olhar com atenção anda fazendo falta. Vivemos cercados de tanta pressa que corremos o risco de passar pelas coisas sem percebê-las. Pela árvore, pelo rio, pelo pássaro, pela música, pelas histórias e também pelas pessoas. Às vezes é numa caminhada qualquer que percebemos um detalhe novo no caminho, uma flor que se volta para a luz ou a beleza de uma paisagem que sempre esteve ali. A primavera está para chegar e, com ela, mais uma vez a natureza nos lembra que os ciclos também trazem renovação. É preciso estar presente para perceber. Ela tem seus tempos, seus silêncios, suas mudanças e uma extraordinária capacidade de recomeçar.

Por isso admiro quem sabe cuidar. Quem fez disso profissão e quem fez disso uma maneira de estar no mundo. Quem compreende que conhecimento não precisa afastar a sensibilidade e que a responsabilidade com o futuro começa nas escolhas feitas agora.

Entre tantos patrimônios que precisamos proteger, penso também nas pessoas que dedicam a vida a essa tarefa. Gente que pesquisa, ensina, protege, inspira e deixa conhecimento pelo caminho. Gente que nos ajuda a perceber que cuidar de um lugar também é uma forma de cuidar de quem vive nele.

No fim, todos nós passamos pelos mesmos cenários, mas algumas pessoas fazem bem aos lugares por onde passam. Deixam conhecimento, cuidado, respeito, sensibilidade e alguma coisa boa que permanece mesmo depois que seguem o caminho. Gosto de pensar que a natureza também é assim. Ela transforma silenciosamente tudo o que toca e, quando encontra quem sabe compreendê-la e cuidar dela, parece devolver um pouco desse cuidado ao mundo.

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