Emanuel Pinheiro Neto
Carta aos brasileiros que acreditam num país melhor
Há uma pergunta que precisamos responder com honestidade: o que queremos construir?
Por anos, muita energia do campo progressista foi gasta em resistir. Resistir ao desmonte de direitos, à destruição ambiental, ao ódio nas redes. Resistir foi necessário. Mas nenhum povo se mobiliza por muito tempo apenas para evitar o pior. Um país se levanta quando há algo concreto pelo que lutar — um projeto claro, uma esperança no horizonte.
É hora de dizer, sem rodeios, qual Brasil queremos construir.
O Brasil não é pobre por causa do brasileiro. O Brasil concentra riqueza, poder e oportunidade nas mãos de poucos — e isso não é natural. É resultado de escolhas. Escolhas que podem ser outras.
Nosso desafio hoje não é só denunciar o que está errado. É mostrar, de forma simples e honesta, como o país pode funcionar melhor para a maioria. E hoje vivemos mais perto dessa realidade.
O governo atual projeta quase R$ 300 bilhões em programas sociais para 2026. Não são esmolas. São investimento em gente: comida na mesa, acesso à saúde, à educação, renda para quem mais precisa.
A Nova Indústria Brasil mobiliza outros R$ 300 bilhões para reconstruir a capacidade produtiva do país — criar empregos de qualidade aqui dentro, em vez de exportar matéria-bruta e importar tecnologia.
Esses são avanços reais. Mas números, sozinhos, não formam projeto de país. Não criam o sentimento de que há um rumo.
E o que ainda falta dizer?
A trabalhadora que pega dois ônibus para chegar em casa não está ouvindo isso de forma que faça sentido para ela. O jovem que sobrevive de bico e aplicativo não enxerga, na nossa atuação, uma proposta concreta para sua vida. O pequeno comerciante, o agricultor familiar, o morador da periferia — muitos ainda não sentem que fazem parte de um projeto maior.
Isso é responsabilidade nossa. Não deles.
A extrema direita aprendeu a transformar raiva e frustração em voto. Cabe a nós aprender a transformar esperança e proposta em projeto compartilhado.
O Brasil que propomos: direto ao ponto e com ações possíveis
1. Emprego de qualidade no centro da economia
Queremos um país que não se conforma em ser exportador de commodities. Queremos cadeias produtivas que gerem emprego qualificado aqui dentro. Que o filho do trabalhador possa encontrar um bom emprego no Brasil — não que precise aceitar qualquer bico ou emigrar para ter futuro.
2. Proteção social como investimento, não gasto
Quando o Estado protege alguém da fome, da doença, da miséria, ele está criando condições para que essa pessoa produza, estude, empreenda e cuide da família. Isso precisa ser dito em voz alta — e repetido.
3. Desigualdade como problema central, não efeito colateral
Não é possível construir um país justo quando poucos concentram quase tudo — terra, renda, poder, meios de comunicação. Enfrentar isso exige política tributária justa, serviços públicos fortes e a coragem de dizer: isso não é natural, é escolha.
4. Dignidade para todas as vidas
Mulheres, negros, indígenas, pobres não podem continuar sendo tratados como descartáveis. Proteger essas vidas não é pauta de minoria — é o fundamento de qualquer sociedade que se diz civilizada.
5. O povo como protagonista, não espectador
Democracia não acontece só nas eleições. Acontece quando as pessoas entendem o que está em disputa no orçamento, nos juros, nas políticas públicas. Nossa tarefa é democratizar esse debate — falar com o povo, não apenas em nome dele.
Precisamos parar de falar só para quem já concorda com a gente.
Precisamos parar de responder ao adversário como se ele fosse o centro do debate. Quando fazemos isso, ele continua pautando a política — mesmo derrotado nas urnas.
E precisamos parar de achar que ter razão é suficiente. Ter razão sem conseguir comunicar é perder o debate antes de começar.
Este texto é um chamado a que o campo progressista responda, junto, a perguntas simples:
* Que Brasil estamos construindo para os próximos 20 anos?
* O seu trabalho vai valer mais nesse Brasil?
* Seu filho vai ter mais chance de prosperar?
* A sua voz vai ser mais ouvida nas decisões que importam?
Se a extrema direita capturou o ressentimento e o medo, nossa tarefa é organizar a esperança — não uma esperança ingênua, mas concreta, ligada a políticas reais que já estão em disputa.
Não somos apenas contra um passado de destruição.
Somos a favor de um futuro em que o povo brasileiro deixe de sobreviver apesar do Brasil — e passe a viver à altura da riqueza, do talento e da dignidade que este país já tem.
Esse é o chamado. O resto é trabalho — paciente, cotidiano, coletivo.
EXCLUSIVAS
Cirurgia íntima não é tabu: é sobre escuta, conforto e autonomia
Published
6 dias atráson
01/05/2026 11:13:32
Por muito tempo, quando uma paciente trazia qualquer incômodo com a própria região íntima, aquele assunto chegava envolto em vergonha. Vinha acompanhado de silêncios longos, de palavras que custavam a sair, de uma culpa que ninguém tinha pedido para carregar. Como se o corpo feminino existisse para suportar, e não para ser cuidado.
Esse cenário está mudando. Não por modismo, não porque surgiu mais um procedimento na lista das tendências estéticas. Mas porque as mulheres estão, aos poucos, se dando permissão para olhar para si mesmas de outro jeito. Com mais atenção. Com mais honestidade. E com uma generosidade consigo mesmas que, durante muito tempo, lhes foi negada.
Falar de saúde íntima feminina é falar de coisas concretas: o desconforto que aparece na hora de escolher uma roupa, a dor durante o exercício, o incômodo que acompanha a vida sexual, a insegurança que vai minando a autoestima sem que a mulher consiga nomear exatamente de onde ela vem. São questões reais, que afetam o dia a dia de forma silenciosa, e que merecem ser levadas a sério.
A estética também tem seu lugar legítimo nessa conversa. Sentir-se bem com o próprio corpo não é frescura nem vaidade vazia. Faz parte de uma relação mais honesta e mais gentil consigo mesma.
A cirurgia íntima, que por muito tempo foi tratada com preconceito ou reduzida a algo superficial, precisa ser entendida dentro desse contexto maior. Há mulheres que convivem com hipertrofia dos pequenos lábios há anos. Outras lidam com alterações que vieram com o parto, com o envelhecimento, com o próprio tempo. E há ainda aquelas que chegam ao consultório trazendo inseguranças alimentadas por comparações impossíveis, por padrões que nunca foram reais.
É exatamente aí que a responsabilidade médica se torna mais importante. Antes de qualquer indicação cirúrgica, preciso escutar. Entender de onde vem aquela queixa, o que de fato está incomodando, o que essa mulher espera encontrar do outro lado dessa decisão. Porque nem toda queixa precisa de cirurgia. Muitas vezes, o que transforma não é o bisturi, mas o acolhimento, a orientação, o simples fato de ser ouvida de verdade.
Quando a cirurgia é indicada, ela precisa ser tratada com a seriedade de qualquer outro procedimento médico. Não é solução mágica. Não é capricho. E jamais deveria ser motivada por pressão de parceiro, de padrão, de qualquer voz que não seja a da própria mulher. É uma decisão pessoal, informada, consciente. Cada corpo é único, e não existe um modelo a ser atingido.
O que mais me chama atenção, na prática, não é o aumento da procura por esses procedimentos. É o que essa procura revela: mulheres fazendo perguntas que antes engoliam, recusando desconfortos que antes aceitavam como normais, ocupando espaço em consultórios para falar de si mesmas sem pedir desculpa por isso. Isso é uma mudança real.
Mas é preciso cuidado para que esse movimento não vire mais uma forma de cobrança disfarçada de liberdade. A escolha de fazer uma cirurgia íntima só faz sentido quando caminha ao lado da escolha de não fazer nada. Empoderamento de verdade é poder decidir sem culpa, sem medo, sem precisar justificar para ninguém.
Saúde íntima feminina não é sobre alcançar nenhum ideal. É sobre viver com conforto dentro do próprio corpo, com segurança e com dignidade. E quando uma mulher chega a esse lugar, seja qual for o caminho que escolheu, ela já deu o passo que mais importa.
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