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POLÍCIA

Investigação aponta romance de missionária com fundador do CV e uso de salão para lavar dinheiro

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A investigação que resultou na Operação Fariseus, deflagrada pela Polícia Civil, revelou que a missionária evangélica Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida mantinha um relacionamento amoroso com Renildo Rios, conhecido como “Chapa”, “Velhote” ou “Veio”, apontado como um dos fundadores do Comando Vermelho em Mato Grosso e atualmente integrante do conselho final da facção.

Segundo o relatório policial, a relação entre os dois não se limitava ao vínculo afetivo. As investigações apontam que o casal mantinha contato frequente, inclusive com troca de informações relacionadas às atividades criminosas, movimentações financeiras e visitas íntimas realizadas na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, onde Renildo está preso.

Conversas interceptadas e materiais apreendidos durante a investigação teriam registrado a proximidade entre os dois. Entre os elementos reunidos estão fotografias do casal se beijando dentro da unidade prisional e registros de videochamadas feitas por Renildo a partir da cela.

Presentes e tatuagem com inicial do criminoso

Ainda conforme o relatório, o relacionamento era marcado por presentes e homenagens. Entre os itens citados pelos investigadores estão alianças, uma pulseira com as iniciais “RR”, uma peça íntima personalizada com o apelido “Velhote” e um veículo que teria sido dado por Renildo à missionária.

Rhavenna também teria tatuado a letra “R” na região lombar.

No Dia dos Namorados, segundo a investigação, Renildo teria feito uma homenagem à companheira durante uma videochamada. Na ocasião, teria enviado flores, uma cesta de presentes, passagem para viagem, cartão do casal e uma caixa contendo rolos de cédulas de R$ 100.

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Em uma conversa interceptada em março deste ano, Rhavenna teria contado à irmã, Anatany de Barcelos Souza Alves, também investigada na operação, que havia sido pedida em casamento por Renildo. Segundo ela, o criminoso teria dito que deixaria a atual esposa.

Contato com outras lideranças do CV

A investigação também aponta que Rhavenna mantinha contato com outras lideranças do Comando Vermelho que estão presas na PCE.

Entre elas está Sandro Silva Rabelo, o “Sandro Louco”, apontado como líder máximo da facção, além de Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “K9”, “Batman” e “Black Store”, integrante do alto escalão do grupo.

De acordo com a Polícia Civil, Jonas teria oferecido apoio a Rhavenna e familiares durante visitas realizadas a comunidades do Rio de Janeiro, além de encaminhar valores.

Missionária é apontada como elo entre presos e integrantes externos

Rhavenna é apontada como principal alvo da Operação Fariseus, realizada em 16 de julho. Segundo a Polícia Civil, ela teria utilizado um projeto social ligado à igreja que frequentava, chamado “Equipe Evangelismo Resgatando Vidas”, como meio para estabelecer comunicação entre integrantes do Comando Vermelho presos e membros da organização que estavam fora do sistema penitenciário.

As investigações apontam que o projeto teria sido utilizado, inclusive, para levar celulares à PCE e transmitir recados e ordens entre integrantes da facção em Mato Grosso e no Rio de Janeiro.

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Além de Rhavenna, familiares dela também foram alvos da operação. Os pais, os pastores Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida, são investigados por suposta participação na organização criminosa e foram alvo de mandados de busca e apreensão.

Também são investigados Rhuan Barcelos, primo de Rhavenna; Anatany Barcelos, irmã dela; e Jéssi Mariane Araújo dos Anjos, Karolina Lopes Padilha, Wiara Lima Cadore e Lais Barbosa Lopes.

Polícia aponta lavagem de dinheiro

Segundo o delegado Victor Hugo, da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Dracco), os investigados também teriam atuado no transporte de valores e na intermediação de mensagens entre integrantes presos e pessoas que estavam fora do sistema penitenciário.

“Eles recebiam recados, dilapidavam valores em espécie e transportavam valores para outras pessoas”, afirmou o delegado, acrescentando que a participação dos investigados na organização criminosa seria demonstrada no decorrer da investigação.

Ainda segundo a Polícia Civil, Rhavenna teria acumulado patrimônio a partir da relação com integrantes da facção. O salão de beleza mantido por ela, “A Burguesinha dos Looks”, é apontado pelos investigadores como uma suposta empresa de fachada utilizada para lavar dinheiro do grupo criminoso.

O delegado também afirmou que a investigação apura o pagamento de procedimentos estéticos realizados pela missionária com recursos que teriam sido repassados pela facção.

As informações fazem parte do relatório investigativo que fundamentou a Operação Fariseus e ainda serão analisadas no decorrer do processo.

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POLÍCIA

Pai vira réu por feminicídio da filha de 12 anos

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Claudinei Silva, de 42 anos, tornou-se réu pela morte da filha, Olga Beatriz Santos da Silva, de 12 anos, em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá. Ele responde por feminicídio, com acusações de motivo fútil, uso de meio cruel e recurso que teria dificultado a defesa da vítima.

A denúncia apresentada pelo Ministério Público foi aceita pela Justiça, dando início à ação penal. Claudinei está preso preventivamente desde 7 de junho, data em que a menina morreu. O processo tramita sob segredo de Justiça, e a reportagem tenta localizar a defesa do réu.

Olga Beatriz morreu depois de passar a primeira noite na casa do pai, no bairro Serra Dourada. Segundo a advogada da família, Dayanne Rodrigues, a menina havia ido ficar com Claudinei após insistir em manter contato com ele.

Na época do crime, Claudinei relatou à polícia que teria encontrado mensagens trocadas entre a filha e um garoto e que isso teria desencadeado as agressões. A versão, porém, é contestada pela mãe da menina. De acordo com ela, Olga não tinha celular e não utilizava redes sociais.

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Ainda conforme a advogada, a mãe da vítima havia se separado de Claudinei após episódios de violência doméstica. Por causa disso, as visitas da menina ao pai eram permitidas, mas havia uma orientação para que ela não dormisse na residência dele.

Com a decisão da Justiça de receber a denúncia, Claudinei passa a responder formalmente ao processo como réu. O caso segue em tramitação sob segredo de Justiça.

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