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CUIABÁ

POLÍCIA

Policial penal é condenado a 21 anos de prisão por ‘liberar’ entrada de celulares e drogas e vender senha do Wi-Fi

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O policial penal Flávio Zanatta foi condenado a 23 anos de prisão por envolvimento em um esquema criminoso que permitia a entrada de drogas, aparelhos celulares e outros materiais ilícitos no Centro de Detenção Provisória (CDP), em Pontes e Lacerda (448 km de Cuiabá). Ele também perdeu o cargo público. A decisão da juíza Djéssica Giseli Küntzer, da 3ª Vara daquela cidade, também condenou cinco detentos. O processo tramita sob sigilo.

As condenações consideram os crimes de tráfico de drogas, associação criminosa, corrupção passiva e coação no curso de processo, individualizados conforme as provas apresentadas nos autos.

O caso veio à tona há dois anos, em maio de 2024, quando servidores da unidade penitenciária identificaram, durante uma inspeção de rotina, pouco mais de 400 gramas de maconha escondidos em um colchão que seria entregue a um dos presos.

O colchão, comprado por um familiar do detento, foi enviado para o local por meio de um motorista de aplicativo. No momento em que o objeto passou pelo scanner corporal, foi verificada a presença do entorpecente.

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Durante o andamento do processo, ficou comprovado que o policial penal facilitava a entrada das drogas e aparelhos celulares, recebendo entre cinco e dez mil reais para isso. Além disso, o agente cobrava mil reais para entregar a senha da rede Wi-Fi da unidade.

Em sua decisão, a magistrada ressaltou o fato de o agente público ter usado da sua função para obter vantagens, causando sérios prejuízos ao sistema prisional.

“O acusado transformou a função pública que exercia em instrumento de obtenção de vantagens particulares, utilizando-se da posição de agente estatal responsável pela custódia e fiscalização dos privados de liberdade para permitir a entrada de objetos ilícitos”, registrou na sentença.

Durante o processo, foi verificado que, após a descoberta do esquema, os envolvidos passaram a ameaçar de morte um outro detento que estava colaborando com as investigações. Ainda houve uma tentativa de convencê-lo a mudar seu depoimento e acusar outros policiais penais que atuavam naquela cadeia.

Ao todo, o policial penal foi condenado a vinte e três anos, quatro meses e vinte dias de prisão, além de um ano e seis meses de prisão em regime inicial fechado. Em razão da gravidade dos crimes imputados a ele, além da pena de reclusão, o agente perdeu o cargo público.

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Os outros cinco condenados foram Karen Caroline Marques da Silva, Igor da Silva de Carvalho, Rian Rodrigues de Souza Silva, Mateus Marangoni Silva e Rafael Maciel Ferreira Júnio. Eles receberam penas que variam entre nove e vinte e um anos. Todos vão começar o cumprimento das penas em regime fechado.

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Jurídico

Juíza autoriza Carlinhos Bezerra a participar de júri sem algemas e uniforme da PCE

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A juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, autorizou que o empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, participe do julgamento pelo Tribunal do Júri sem o uso de algemas e sem vestir o uniforme prisional da Penitenciária Central do Estado (PCE). O julgamento está marcado para esta sexta-feira (31), em Cuiabá. Carlinhos é réu pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian César Moreno, ocorridos em 2023 na Capital.

A decisão da juíza é do fim dessa terça-feira (28) e atende ao pedido da defesa de Carlinhos, constituída pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristina da Silva e Gabriel Gouvea Neno Reiff.

Reprodução

Carlos Alberto Gomes Bezerra, Carlinhos Bezerra

A magistrada também estabeleceu outras diretrizes para o júri, permitindo o acesso da defesa a equipamento de exposição de mídia e às peças processuais para sustentação oral e acesso à internet.

“A apresentação do acusado em plenário sem o uso de algemas ou uniforme prisional fica ressalvada a avaliação da equipe de segurança responsável pela escolta quanto à necessidade excepcional e fundamentada de contenção”, diz trecho da decisão.

Defesa abandonou Júri

Na última terça-feira (21), data em que aconteceria o julgamento, os advogados de defesa de Carlinhos Bezerra, abandonaram o Tribunal do Júri, após ter mais um pedido de adiamento negado pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, que preside a sessão.

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No plenário, o advogado Elson Marcelino da Silva Júnior, fez uma longa fala, alegando cerceamento de defesa, pois, segundo ele, não houve tempo suficiente para análise dos documentos, que não cabiam num pen drive, e o mesmo precisou comprar um HD externo. Na sequência afirmou que sairia do Júri ao que a juíza respondeu: “podem abandonar, sintam-se à vontade”.

Josi Dias/TJMT

Júri Carlinhos Bezerra, TJMT

 O advogado Elson Marcelino da Silva Júnior se preparando para “abandonar” o Júri

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) havia solicitado a nova data para o dia 03 de agosto, mas a juíza negou e agendou para o dia 31 de julho.

Relembre o caso

A ex-namorada de Carlinhos, Thays Machado, e o namorado dela, William César Moreno, foram mortos a tiros na tarde do dia 18 de janeiro de 2023, no bairro Consil, próximo à Avenida Historiador Rubens Mendonça (Avenida do CPA), em Cuiabá. Thays estava em frente ao Edifício Residencial Monet, onde a mãe dela morava, para entregar uma chave à genitora. William a acompanhava.

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Conforme publicado, Thays estava em um relacionamento com Willian há cerca de um mês quando, na madrugada do dia do crime, ela foi ao aeroporto para buscar o atual namorado. Na data, os dois teriam sido abordados por Carlinhos, que os ameaçou com uma arma de fogo.

Reprodução

Casal assassinado - Thays Machado e William Cesar Moreno

 O casal assassinado Thays Machado e Willian César Moreno,

Ela ligou para o 190 e denunciou a situação. Na ligação, ela foi orientada a procurar a Delegacia da Mulher e foi solicitado que entrasse em contato, “caso fosse necessário”. De acordo com as investigações, Thays não procurou a Delegacia da Mulher para formalizar a denúncia e pedir medida protetiva.

Um pouco mais tarde, por volta das 17h daquele dia, ela e Willian Moreno foram mortos na calçada do edifício onde a mãe de Thays morava.

Horas depois, Carlinhos foi preso em uma chácara da família e, durante interrogatório na Polícia Civil, confessou o crime. Ele argumentou que sofre de diabetes e que estava em “estágio de neuropatia”, o que lhe causou o desequilíbrio emocional e que isso teria motivado o crime.

 

Com informações do RDNEWS

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