O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou nesta terça-feira (15) que ainda não assistiu ao vídeo publicado pelo humorista Fábio Porchat sobre a crise envolvendo o Banco Master e os recentes acontecimentos dentro da Corte.
A declaração ocorreu durante a sessão do STF que analisa o relatório da Polícia Federal sobre as mensagens e registros envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Durante a sessão, o ministro Flávio Dino perguntou a Fachin se ele havia visto a gravação. O presidente do Supremo respondeu que não, explicando que passou os últimos dias analisando documentos relacionados aos acontecimentos na Corte.
“Não tive tempo, eu estou vendo os ofícios que chegaram… Que são hemorrágicos”, afirmou Fachin, em tom bem-humorado.
Dino havia recomendado que o presidente do STF assistisse ao vídeo de Porchat, que faz uma sátira sobre a rotina dos jornalistas diante da sequência de acontecimentos relacionados ao caso Master.
Publicado no último sábado (10), o conteúdo mostra o humorista interpretando um jornalista e ironizando o excesso de informações, documentos e movimentações no Supremo após a retirada do sigilo de documentos do inquérito pelo ministro André Mendonça.
STF analisa relatório da PF
Apesar do momento descontraído durante a sessão, o plenário do STF enfrenta nesta terça-feira uma pauta considerada de grande relevância para a própria Corte.
Os ministros analisam o relatório elaborado pela Polícia Federal, que reúne mensagens e outros registros utilizados pela corporação para apontar uma possível relação próxima entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
Antes de entrar no conteúdo das mensagens, porém, o Supremo deve analisar uma questão preliminar apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que pediu a anulação do relatório produzido durante a investigação.
A Procuradoria questiona a forma como a medida foi determinada por André Mendonça. Segundo a PGR, não houve uma solicitação prévia do Ministério Público ou da própria Polícia Federal para a produção do documento, nem submissão da decisão ao plenário do Supremo.
A eventual anulação do relatório pode mudar os rumos da sessão. Há ministros que avaliam que, nesse cenário, o caso poderia ser encerrado sem uma análise aprofundada das mensagens. Outra corrente entende que os elementos já obtidos ainda poderiam ser considerados para avaliar a necessidade de uma nova investigação.
Caso provoca tensão entre ministros
A sessão ocorre após dias de divergências internas no STF, marcados por troca de ofícios, discussão sobre o acesso às provas e questionamentos quanto à condução da investigação por André Mendonça.
Na véspera da sessão, a Polícia Federal informou ter disponibilizado aos gabinetes de Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes cópias dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro.
Também na segunda-feira (14), Mendonça retirou o sigilo de um processo que reúne informações sobre a rede de pagamentos relacionada a Vorcaro e ao Banco Master.
O conjunto de documentos e as divergências sobre a condução do caso fazem da sessão desta terça um dos momentos de maior tensão recente dentro do Supremo.