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Raul Fortes

Chapada, onde a cultura encontra casa

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Alguns lugares atravessam a nossa história. Outros passam a morar dentro dela. Para mim, Chapada dos Guimarães é assim.

Há mais de duas décadas, volto a Chapada dos Guimarães como músico. Volto aos seus palcos, às suas ruas, aos seus encontros e àquela paisagem que parece sempre dizer alguma coisa, mesmo quando permanece em silêncio. Chapada tem uma energia difícil de explicar. Está nos paredões, no vento mais fresco, no misticismo, no abraço das pessoas e na maneira como a arte ocupa a cidade durante o Festival de Inverno.

Neste ano, o festival chegou à sua 39ª edição. Quase quatro décadas reunindo pessoas, gerações e diferentes formas de viver a cultura brasileira.

Ferrugem levou o samba e o pagode para um público que cantou do início ao fim. Panda mostrou a força do sertanejo contemporâneo. Paulo Ricardo despertou memórias de diferentes gerações. Amado Batista emocionou milhares de pessoas com um repertório que atravessa o tempo. Cada artista levou sua própria história ao palco. Chapada recebeu todas elas com a hospitalidade que sempre fez parte de sua identidade.

Mas um festival dessa dimensão não se explica apenas pelos nomes que chegam. Sua maior riqueza está nas pessoas que fazem cultura todos os dias. Está no encontro entre grandes nomes da música brasileira e os artistas que fazem da cultura mato-grossense uma expressão viva da nossa identidade. Está nos músicos, compositores, intérpretes, produtores, técnicos, artesãos e tantos profissionais que, ano após ano, transformam Chapada em um dos mais importantes palcos culturais do país.

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São artistas que constroem trajetórias consistentes e colecionam sucessos. Nomes como Pescuma, Henrique & Claudinho, MP Rock e tantos outros demonstram que a música brasileira produzida em Mato Grosso tem identidade, qualidade e público. Quando dividem a programação com Ferrugem, Paulo Ricardo, Panda e Amado Batista, não ocupam um espaço de apoio. Ocupam o lugar que conquistaram pelo talento e pela história que ajudam a escrever na cultura brasileira.

Neste ano, tive novamente a alegria de fazer parte dessa história. Foram apenas 60 minutos de apresentação, suficientes para sentir, mais uma vez, a energia única daquele público. Em cima do palco, uma hora pode carregar mais de duas décadas de lembranças, encontros, aprendizados e gratidão.

Toda grande realização também convida ao aperfeiçoamento. O enorme público presente em alguns dias trouxe desafios naturais de um evento dessa dimensão. Houve momentos em que a cidade precisou lidar com uma demanda muito acima do habitual, algo que merece reflexão para que as próximas edições sejam ainda mais acolhedoras para moradores, visitantes e artistas.

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Mas reduzir o Festival de Inverno a esses episódios seria injusto com uma história construída ao longo de quase quarenta anos. Eventos dessa grandeza são feitos de aprendizado permanente. Cada edição deixa conquistas e também oportunidades de aperfeiçoamento. Isso faz parte de qualquer iniciativa que continua crescendo.

O que permanece é muito maior. Permanece uma cidade que respira cultura durante vários dias. Permanece o fortalecimento da economia, do turismo, da gastronomia e da produção cultural mato-grossense. Permanecem os encontros, os abraços, as descobertas e as lembranças que cada visitante leva consigo ao voltar para casa.

Ficam as canções, as conversas, os reencontros e a certeza de que a cultura continua sendo um dos caminhos mais bonitos para aproximar pessoas.

Chapada dos Guimarães continua sendo natureza, contemplação e misticismo. Mas continua sendo, sobretudo, um lugar onde a cultura encontra casa.

Depois de 21 anos subindo ao palco do Festival de Inverno, aprendi que não é apenas o artista que sobe ao palco. Sobem também as histórias que ele carrega, os afetos que construiu e a gratidão por fazer parte de um evento que se tornou patrimônio do nosso estado. E, sempre que volto a Chapada, não reencontro apenas um palco. Reencontro uma parte da minha própria história.

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IA: a um passo de fazer sua marca vender menos

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Há pouco mais de dois anos, criar uma campanha exigia tempo, pesquisa, estratégia e um time multidisciplinar. Hoje, basta abrir uma plataforma de inteligência artificial, digitar um comando e, em poucos segundos, surgem textos, vídeos, imagens e apresentações prontas para publicação.

Como empresário da comunicação, vejo essa transformação com entusiasmo. A inteligência artificial representa um dos maiores avanços tecnológicos da nossa geração. Ela aumenta a produtividade, reduz tarefas repetitivas e acelera processos criativos. Ignorar isso seria um erro.

Mas existe outro erro, talvez ainda maior: acreditar que a IA substitui estratégia. Tenho observado um movimento preocupante. Nunca foi tão fácil produzir conteúdo. Ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil construir uma marca memorável.

Quando todos utilizam as mesmas ferramentas, alimentadas pelos mesmos bancos de dados e pelos mesmos padrões de linguagem, o resultado tende a ser parecido. As campanhas ficam bonitas, tecnicamente corretas, mas sem personalidade. É como visitar uma feira em que todas as vitrines exibem exatamente o mesmo produto.

Isso não é apenas uma percepção do mercado. Um estudo publicado em 2024 no Journal of Retailing and Consumer Services demonstrou que consumidores percebem marcas que utilizam conteúdo totalmente gerado por IA como menos autênticas. O efeito diminui quando a tecnologia é usada como apoio ao trabalho humano, e não como substituta da criação.

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Essa conclusão reforça algo que sempre defendemos dentro das agências de comunicação: marcas não vendem apenas produtos, elas vendem confiança, e confiança não nasce de um prompt. Ela nasce da compreensão profunda do comportamento humano, da cultura de uma empresa, da leitura do mercado, do entendimento da concorrência, da capacidade de interpretar emoções, contextos e oportunidades.

É exatamente aí que entram profissionais como estrategistas, publicitários, designers, redatores e diretores de criação. A inteligência artificial reorganiza informações existentes. Ela identifica padrões, sugere caminhos, mas não participa de reuniões difíceis com clientes, não percebe o silêncio de um consumidor durante uma pesquisa, não interpreta a emoção presente em uma história real nem entende, por experiência própria, aquilo que torna uma marca única.

Por isso, acredito que a criatividade continuará sendo um diferencial competitivo. A própria McKinsey mostra que 65% das empresas já utilizam inteligência artificial generativa regularmente e enxergam ganhos importantes de produtividade. Ao mesmo tempo, a consultoria destaca que os melhores resultados aparecem quando existe supervisão humana e integração da IA aos processos estratégicos, e não sua utilização isolada.

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Outro dado chama atenção. Um levantamento da Adobe revelou que 93% dos consumidores consideram importante saber como um conteúdo foi criado ou editado, demonstrando uma demanda crescente por transparência e autenticidade na comunicação digital. Isso nos leva a uma reflexão simples. A IA democratizou a execução, mas estratégia continua sendo um diferencial humano.

Quem usar inteligência artificial apenas para produzir volume provavelmente terá muito conteúdo e pouca conexão. Quem utilizar a tecnologia para potencializar boas ideias, pesquisas consistentes e posicionamentos autênticos terá uma vantagem competitiva difícil de copiar.

Na comunicação, a ferramenta nunca foi o maior ativo. O maior ativo sempre foi a capacidade de transformar informação em relacionamento, e, até onde sabemos, nenhuma inteligência artificial aprendeu a fazer isso sozinha.

Por Edson dos Santos, diretor da Agrand Comunicação e MT É Negócio

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