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O ponteio da viola caipira e o coração sertanejo de Mato Grosso

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O ponteio da viola caipira é algo extraordinário. É memória que vibra nas dez cordas e se espalha como reza e como festa. Cada dedilhado carrega a cadência do campo, o ritmo das águas e o silêncio das tardes. É um idioma próprio, aprendido de ouvido, transmitido entre gerações, onde o improviso e a criatividade se encontram com a tradição. No ponteio, há sempre mais do que música: há histórias, afetos, lembranças e o eco de um Brasil profundo.

A viola caipira chegou ao Brasil com os portugueses no século XVI. Tem origem na família das violas ibéricas, que por sua vez descendem da vihuela espanhola e do alaúde árabe, instrumentos que atravessaram mares com as caravelas. Aqui, encontrou um povo pronto para reinventá-la: jesuítas a usaram na catequese, bandeirantes e tropeiros a levaram nas expedições, sertanejos e lavradores a transformaram em trilha da vida cotidiana. Enquanto os salões das elites vibravam com a guitarra francesa e o piano europeu, era a viola que ecoava nas vilas, nos terreiros e nas festas populares.

Nos registros de Debret e Rugendas, no século XIX, é sempre o povo humilde quem aparece com a viola nas mãos. Nos anúncios de escravizados fugidos, muitos eram descritos como bons tocadores de viola, prova de que o instrumento não era apenas musical, mas também ferramenta de identidade e resistência. Diferente de outros instrumentos antigos, que acabaram em museus, a viola sobreviveu porque permaneceu com o povo, sendo transmitida pela oralidade, sem necessidade de partitura.

Tudo isso veio à tona porque assisti a um vídeo lindo e nostálgico: a participação de Pescuma e Hélio Pimentel no programa Estação Brasil, de Rolando Boldrin. Ali, eles interpretaram com rara beleza a canção Boiada Cuiabana, em um dueto que tinha a cara do Brasil e de sua viola. Foi como se a essência da nossa cultura sertaneja tivesse se condensado naquele momento, lembrando que a viola é raiz, mas também horizonte. E é impossível não reconhecer que Rolando Boldrin foi um dos maiores incentivadores da música caipira e sertaneja, um apaixonado entusiasta da viola, que abriu seu palco para que a cultura popular fosse respeitada e celebrada.

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Em Mato Grosso, esse ponteio encontrou terreno fértil. Aqui a viola caipira não é relíquia, mas presença viva, que acompanha a lida, embala encontros e dá corpo à identidade sertaneja. Os sons que nascem dela estão no rasqueado cuiabano, que mistura polca, guarânia e batuque; estão nas festas populares que transformam a vida em celebração; estão na memória de quem aprendeu olhando e ouvindo os mais velhos.

Não por acaso, Mato Grosso também celebra a viola em encontros de violeiros. O mais emblemático acontece em Poxoréu, cidade que se tornou referência nacional quando o assunto é essa tradição caipira. Ali, gerações se reúnem para compartilhar saberes, histórias e técnicas, transformando o palco em roda, a festa em memória viva, o ponteio em identidade coletiva. Cada encontro é testemunho da força de um instrumento que não envelhece, porque se reinventa a cada dedilhado.

Para mim, a viola caipira guarda o timbre instrumental mais bonito que existe, ao lado do violoncelo. Enquanto o cello emociona com sua profundidade grave, a viola encanta com a delicadeza rústica e luminosa de suas cordas dobradas. Juntos, são como vozes irmãs: um fala da terra, o outro canta o coração do sertão.

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Esse legado é sustentado por mestres e artistas que mantêm a chama acesa. Hélio Pimentel levou a sonoridade da viola caipira de forma linda e limpa para todos. Claudinho, em parceria com Pescuma e Henrique, fez e faz do rasqueado com a viola um símbolo de uma região inteira. Eduardo Santos, maestro e violeiro, prova que o instrumento pode estar no quintal e também na orquestra, sempre fiel às suas origens populares. E a força da viola vai além: várias duplas sertanejas utilizam a viola caipira como voz principal para cantar Mato Grosso e o Brasil, reafirmando que este instrumento continua sendo alma sonora do sertão e do país.

Mato Grosso é estado sertanejo por essência. Em cada mato-grossense existe um pedaço caipira: no cheiro da terra molhada pela chuva, na lembrança do quintal de infância, no improviso da roda ao entardecer. Esse pedaço é feito de amor — amor à terra, à memória e às raízes que não se apagam.

A viola caipira é raiz e também futuro. E, enquanto houver ponteio, haverá memória, haverá celebração e haverá amor. Em cada encontro de violeiros em Poxoréu, em cada roda de amigos, em cada palco, ela reafirma seu papel: ser o coração sertanejo de Mato Grosso.

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Maio Amarelo: segurança no trânsito é responsabilidade de todos

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O Maio Amarelo é um movimento de conscientização para chamar a atenção da sociedade sobre a importância da segurança no trânsito. É um momento para refletirmos sobre atitudes que salvam vidas nas ruas, avenidas, MTs, BRs e estradas vicinais de Mato Grosso.

Na região Oeste, as estradas têm papel fundamental no desenvolvimento das cidades, no transporte da produção, no acesso à saúde, à educação e na ligação entre os municípios. Por isso, defender melhorias nas rodovias também é defender a vida das pessoas.

Tenho trabalhado fortemente pela pavimentação, recuperação e construção de estradas importantes para nossa região. Sabemos que uma rodovia em boas condições oferece mais segurança para motoristas, motociclistas, caminhoneiros e famílias que utilizam essas vias todos os dias.

Mas a segurança no trânsito não depende apenas da estrutura das estradas. Ela também depende da consciência de cada cidadão. Respeitar os limites de velocidade, não dirigir após consumir bebida alcoólica, usar cinto de segurança e ter atenção no trânsito são atitudes simples que evitam acidentes e salvam vidas.

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Nossa região cresce cada vez mais, e junto com o desenvolvimento vem a responsabilidade de construir um trânsito mais seguro e humano para todos.

O Maio Amarelo nos lembra que cada escolha no trânsito faz diferença. Precisamos unir esforços entre poder público e população para garantir mais segurança nas MTs, BRs e estradas vicinais da região Oeste.

Seguirei trabalhando pela melhoria da infraestrutura das nossas estradas, sempre pensando no desenvolvimento da região e, principalmente, na proteção da vida da nossa gente.

Sou Valmir Moretto, deputado estadual que acredita no trabalho, na responsabilidade e na força do oeste de Mato Grosso.

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