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Arte, amizade e inclusão marcam encontro entre jovens autistas durante evento do TJMT em Cáceres

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Júlio e Maria Clara exibem orgulhosos suas criações: uma pintura colorida e um desenho animado. O ambiente expositivo, repleto de quadros e luz natural, valoriza a inclusão e a arte como forma de comunicação.A 4ª edição do projeto “TJMT Inclusivo Capacitação e Conscientização em Autismo”, realizada no Fórum de Cáceres, não foi marcada apenas por palestras e debates técnicos. Um dos momentos mais emocionantes do evento aconteceu no encontro entre os jovens autistas Maria Clara Souza Campos e Júlio César Cosme da Silva, que trocaram obras de arte em um gesto de sensibilidade e amizade.

Maria Clara, de 22 anos, é artista plástica e filha da servidora do TJMT Adriana Ferreira de Souza. Durante o evento, ela expôs e vendeu telas e camisetas pintadas à mão, destacando como a arte se tornou um meio de expressão, regulação emocional e superação dos desafios do espectro autista. “Quando pinto, coloco meus sentimentos: alegria, proteção, cura. Cada tela é um pedacinho meu que vai para a casa de alguém”, explicou emocionada.

Entre as obras expostas estava uma pintura de peixes, criada em um momento de introspecção e apego pessoal, que inicialmente não estava à venda. No entanto, ao perceber o interesse constante de Júlio, que voltava várias vezes para admirar o quadro, Maria Clara decidiu presentear a obra ao colega. “Ele olhava com tanto carinho que eu quis que ficasse com a tela”, contou.

Grupo de pessoas assiste atentamente a uma atividade no TJMT Inclusivo, em Cáceres.Júlio segura uma pintura enquanto é observado por familiares e colegas, em ambiente acolhedor e educativo.O gesto surpreendeu Júlio, estudante de Ciência da Computação da Unemat, diagnosticado com autismo aos 17 anos. Feliz com o presente, ele retribuiu criando ali mesmo um desenho de gatinho especialmente para Maria Clara, unindo duas de suas maiores inspirações artísticas: animais e peixes.

Além da emoção da troca de obras artísticas, Júlio destacou a importância do evento do TJMT para sua trajetória. “Ajuda a sociedade a entender que a pessoa autista não é um bicho de sete cabeças. É alguém que só precisa de uma ponte para se conectar. Descobrir meu diagnóstico me fez entender quem eu sou e agora quero usar meu conhecimento em computação para ajudar outras crianças autistas a terem condições melhores que as minhas”, afirmou.

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Em auditório, jovem e palestrante sentadas em sofá preto trocam sorrisos e aplausos durante o TJMT Inclusivo. O ambiente é acolhedor, com bandeiras ao fundo e público atento à conversa inspiradora.Para a servidora Adriana Ferreira de Souza, mãe de Maria Clara, o momento simbolizou a essência do projeto TJMT Inclusivo: oferecer pertencimento e espaço para talentos. “A pintura tirou minha filha de um mundo escuro e a levou para a luz. Ver esse movimento histórico do Tribunal de Justiça, abrindo portas para a inclusão, me enche de gratidão. É o reconhecimento de que o autismo não é doença, mas uma condição que deve ser respeitada e valorizada”, destacou.

A trajetória de Júlio também foi contada pelo pai, o técnico judiciário Marcos José Cosme da Silva, que recordou as particularidades da infância do filho. Ele começou a andar cedo, aos 11 meses, mas só iniciou a fala após os dois anos. Desde pequeno, apresentava sinais de altas habilidades, como decorar falas inteiras de filmes, conhecer todos os nomes de dinossauros e até ler enciclopédias completas. No entanto, as dificuldades de interação social logo chamaram a atenção de professores e familiares.

Jovem artista recebe certificado das mãos de representantes do TJMT em cerimônia oficial. As bandeiras ao fundo e os trajes formais reforçam o tom de reconhecimento e valorização da inclusão.O diagnóstico de autismo veio apenas na adolescência, depois de episódios de convulsão e acompanhamento médico. A descoberta tardia trouxe apreensão, mas também a certeza de que Júlio deveria ser incentivado a levar uma vida plena e independente, sem depender de benefícios.

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“Nós erramos em muitas coisas, porque não tínhamos conhecimento, mas graças a Deus ele se desenvolveu. Hoje faz coisas que eu não imaginava, como apresentar trabalhos, formar equipes e se expressar em público”, destacou o pai.

TJMT Inclusivo

No dia 17 de outubro, será a vez da Comarca de Rondonópolis receber a 5ª edição da Capacitação e Conscientização em Autismo TJMT Inclusivo. As inscrições já estão abertas. Acesse este link para se inscrever e conferir a programação completa.

O encontro reunirá especialistas de diferentes áreas, como neurologia, psicologia, fisioterapia, educação e direito, além de ativistas do movimento autista, para discutir desde os primeiros sinais do transtorno até os impactos sociais e jurídicos relacionados à causa. A proposta é oferecer um espaço de diálogo e aprendizado tanto para servidores do Judiciário quanto para a comunidade em geral.

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Autor: Ana Assumpção

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Justiça e Exército se unem em Rondonópolis para defender cultura da paz e acesso aos direitos

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Entre fardas, livros e reflexões sobre cidadania, o auditório do 18º Grupo de Artilharia de Campanha, em Rondonópolis, se transformou nesta segunda-feira (18) em um espaço de diálogo sobre pacificação social, direitos fundamentais e Justiça. A convite do comandante da unidade, tenente-coronel Joel Reis Alves Neto, o coordenador do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), juiz Wanderlei José dos Reis, ministrou palestra aos militares sobre acesso à Justiça, autocomposição e Justiça Restaurativa.

Logo no início da fala, o magistrado destacou sua ligação com o Exército Brasileiro e a importância da parceria institucional entre as duas instituições. “O militar não é melhor nem pior que ninguém, ele é diferente. O militar tem senso de responsabilidade, disciplina e proatividade. É uma honra estar aqui falando em nome do Poder Judiciário de Mato Grosso e trazendo uma mensagem institucional de pacificação social”, afirmou o juiz.

O comandante do 18º GAC, tenente-coronel Joel, ressaltou que o encontro fortalece o intercâmbio de conhecimentos entre as instituições e contribui para a formação humana dos militares. “A presença do Poder Judiciário dentro do quartel amplia horizontes e reforça valores importantes para a sociedade e para o próprio Exército, como diálogo, equilíbrio e responsabilidade social”, destacou.

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Direitos fundamentais e cidadania

Durante a primeira parte da palestra, o juiz Wanderlei abordou temas ligados ao projeto “Diálogos com as Juventudes”, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), explicando conceitos relacionados à Constituição Federal, direitos humanos e acesso à Justiça.

O magistrado explicou aos militares que o acesso à Justiça é um direito fundamental garantido pela Constituição e destacou a importância do conhecimento como instrumento de transformação social. “O acesso à Justiça começa pelo conhecimento. Conhecer a Constituição, conhecer as leis e compreender os próprios direitos é fundamental para o exercício da cidadania”, disse.

Ao falar sobre direitos fundamentais, o juiz Wanderlei também fez um paralelo histórico sobre a evolução do Estado Democrático de Direito e ressaltou o papel do Judiciário como garantidor da paz social e da proteção dos direitos individuais.

Exército e Judiciário pela pacificação social

O magistrado também relacionou a atuação do Judiciário à missão histórica de figuras importantes do Exército Brasileiro, como Duque de Caxias e Marechal Rondon. “Nós estamos aqui trazendo uma mensagem institucional de pacificação. Duque de Caxias foi conhecido como o pacificador e Marechal Rondon carregava um lema profundamente humano: ‘Morrer, se necessário for; matar, nunca’. Isso dialoga diretamente com aquilo que o Judiciário busca hoje”, afirmou.

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Ao encerrar a primeira palestra, o juiz reforçou que educação, leitura e conhecimento são ferramentas essenciais para transformação pessoal e social. “O conhecimento transforma. O homem é a medida do seu conhecimento. Quanto mais conhecimento, maior a capacidade de compreender seus direitos e contribuir para uma sociedade mais justa”, concluiu.

Autor: Roberta Penha

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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