POLÍTICA NACIONAL
Senadores questionam como BC negou e depois aprovou venda do Master a Vorcaro
Publicado em
19/05/2026 19:05:31por
infocoweb
Em audiência nesta terça-feira (19) na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), senadores questionaram o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, sobre mudanças de postura da autoridade monetária, ao longo das últimas gestões, em relação ao Banco Master.
Senadores lembraram que a aquisição do então Banco Máxima (rebatizado Master) por Daniel Vorcaro chegou a ser barrada durante o mandato de Ilan Goldfajn na presidência do BC, mas acabou aprovada na gestão de Roberto Campos Neto, período em que teria havido flexibilização regulatória. Medidas mais rigorosas contra o Master só teriam ocorrido na gestão de Gabriel Galípolo, apesar de a estrutura de governança e os principais controladores da instituição permanecerem semelhantes ao longo das três gestões.
— A governança não mudou, é o mesmo sistema. Então, o doutor Ilan proíbe, depois se autoriza e se mantém por quatro anos, e Vossa Excelência em pouco tempo, quando se senta na posição de poder liquidar, liquida o banco. Alguma coisa estranha aconteceu nesse período — recapitulou o senador Jaques Wagner (PT-BA), referindo-se às três últimas gestões do BC.
Citando informações constantes no processo analisado pelo Banco Central, Galípolo explicou que a negativa inicial à aquisição do então Banco Máxima por Daniel Vorcaro ocorreu por dúvidas relacionadas à origem dos recursos utilizados na operação. De acordo com ele, na gestão de Campos Neto teriam sido apresentados novos recursos financeiros.
— Eu não estava lá. A informação que eu tenho, a partir do processo, é que a discussão original era sobre a origem de recursos, o veto que teve na primeira. Com o Roberto [Campos Neto], parece que lhe apresentam outros recursos. E aí, nesses outros recursos que foram apresentados, a origem teve parecer favorável da área técnica [do BC] — afirmou Galípolo.
Sobre a atuação da sua gestão, Galípolo informou que em janeiro de 2025 o BC começou a achar “pouco usual” que um banco com dificuldade de liquidez começasse a formar e vender uma carteira de investimentos. A partir daquele momento, foi constituído um grupo específico, dentro da Diretoria de Fiscalização, para analisar as carteiras e iniciou-se a sindicância.
“Crise sistêmica”
O presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), lembrou que em abril de 2025 o BC enviou um ofício ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) solicitando assistência financeira de R$ 11 bilhões para evitar a quebra da instituição.
— O senhor há pouco lembrou que a quebra do Master não causaria crise sistêmica, porque era um banco de terceira divisão. E por que esse ofício do Banco Central na sua gestão? O FGC acabou liberando R$ 5,7 bilhões. Pode explicar a razão desse pedido do Banco Central ao FGC? — perguntou Renan.
Em resposta, Galípolo afirmou que uma eventual liquidação do banco obrigaria o FGC a arcar integralmente com os depósitos garantidos pela instituição. Segundo ele, o fundo optou por antecipar pagamentos enquanto o Banco Central avaliava alternativas de venda parcial ou total do banco.
— O que o FGC fez, inteligentemente? Falou: olha, enquanto você está analisando a possibilidade de encontrar venda parcial ou total do banco, eu vou honrando os FGCs que estão vencendo e vou pagando — explicou Galípolo.
Encontro com Lula
Senadores da oposição questionaram o presidente do BC sobre uma reunião com Daniel Vorcaro realizada fora da agenda do presidente Lula, em dezembro passado, no Palácio do Planalto.
Galípolo confirmou que o encontro ocorreu e que ele, à época indicado para suceder Roberto Campos Neto na presidência do BC, estava presente. Sobre o que foi tratado, informou que Vorcaro relatou um cenário de perseguição por parte de outros bancos maiores quando o presidente respondeu que o assunto seria tratado de forma técnica.
— A fala do presidente foi bastante objetiva em dizer: “Esse é um tema tratado por dentro do Banco Central, não aqui. Você tem que tratar isso no Banco Central. O Gabriel vai ser o próximo presidente, tenho certeza de que ele é técnico e vai dar um tratamento técnico” — relatou.
O senador Eduardo Braga (MDB-AM) questionou Galípolo sobre os mecanismos de governança, reputação e fiscalização adotados pelo Banco Central no acompanhamento da transição do antigo Banco Máxima para o Banco Master. Segundo Braga, é necessário avaliar se houve falhas nos controles internos da autoridade monetária para prevenir crimes financeiros e lavagem de dinheiro.
Galípolo afirmou que o Banco Master recebera avaliações positivas de agências de risco, auditorias de grandes empresas e pareceres jurídicos favoráveis. Segundo ele, foi justamente a atuação da governança do Banco Central que permitiu identificar irregularidades e encaminhar o caso aos órgãos de investigação.
PEC da autonomia
O presidente do BC voltou a defender a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 65/2023), que amplia a autonomia financeira e administrativa da instituição. Afirmou que a autoridade monetária enfrenta dificuldades para competir com a estrutura tecnológica e operacional do sistema financeiro privado.
— Se a gente ficar cobrando mais e não der recurso, fica impossível ampliar a supervisão e a fiscalização — afirmou.
Em relação à PEC, Galípolo recebeu apoio dos senadores Alessandro Vieira (MDB-SE) e Plínio Valério (PSDB-AM), este último, relator da matéria no Senado. Eles afirmaram que os problemas revelados pelo caso Banco Master apontam a existência de uma organização criminosa que teria se infiltrado em diferentes esferas do poder público.
Para Alessandro, concentrar as discussões apenas no Banco Central pode dificultar a compreensão da dimensão do problema.
— Se esta Casa não perceber isso e focar apenas no Banco Central, não vamos contribuir para a solução — declarou.
O senador Esperidião Amin (PP-SC) defendeu o fortalecimento institucional do Banco Central e afirmou que o avanço de fundos financeiros exige maior capacidade de fiscalização do sistema financeiro. Segundo ele, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) enfrenta limitações operacionais e de pessoal para acompanhar a expansão desses instrumentos.
— Os fundos estão sendo criados hoje às centenas. É impossível a CVM cuidar disso com a estrutura atual. Nós queremos um Banco Central forte e fortalecido, porque isso é emissão de moeda, isso é muito grave — declarou.
Por sua vez, o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) disse não acreditar que, por si só, a PEC da autonomia resolva problemas como o do Banco Master. Para ele, é preciso apontar os mecanismos que possibilitaram que ex-diretores atuassem como advogados de Daniel Vorcaro dentro da instituição.
— Simplesmente tornar o Banco Central independente não resolverá, como não resolveu situações gravíssimas — avaliou.
Eduardo Braga manifestou preocupação com a falta de recursos para a fiscalização.
— Não adianta resolver exclusivamente a questão orçamentária do Banco Central. É mais complexo do que isso. É preciso resolver o problema do Banco Central, o problema do Coaf [Conselho de Controle de Atividades Financeiras] e o problema da CVM. Nós temos que dotar o sistema de fiscalização, comando e controle do sistema financeiro brasileiro de recursos necessários para que essa governança funcione com eficiência — afirmou.
BRB
Senadores também questionaram se o Banco Central teria atuado para viabilizar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). De acordo com as investigações, mesmo sem efetivar a compra planejada de 58% das ações do Master, o BRB adquiriu carteiras de “créditos podres” do banco de Vorcaro por R$ 12 bilhões.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou ter pedido à Procuradoria do Banco Central e à Polícia Federal o compartilhamento de informações das investigações relacionadas ao BRB.
— O BRB não é uma questão local. O Distrito Federal não é uma unidade qualquer. O BRB diz respeito a todos nós, inclusive agora com uma história de que querem usar o nosso fundo constitucional, olha que loucura, para dar garantias ao BRB — disse Damares, citando relatos na imprensa.
Sobre o compartilhamento de informações das investigações, o procurador-geral do Banco Central, Cristiano Cozer, afirmou que o Banco Central é obrigado por lei a preservar os sigilos bancário, fiscal e empresarial. O presidente do BC sugeriu ainda que os senadores consultem o relatório produzido pela AudBancos no Tribunal de Contas da União (TCU), durante auditoria conduzida pelo órgão sobre a atuação do Banco Central no caso.
Exoneração do presidente
Questionado sobre sua suposta falta de reação a uma iniciativa do Congresso para delegar ao Legislativo o poder de exonerar o presidente do BC, Galípolo disse que é importante, para a credibilidade do Banco Central, que ele “não seja arrastado para esse tipo de debate”.
— O Banco Central não tem que pegar a televisão, gravar um Instagram, um TikTok fazendo isso. O Banco Central não é palanque. O Banco Central toma a decisão correta, independente de quem está jogando pedra e fazendo barulho.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Relator propõe mudanças no Código de Trânsito; texto será votado em julho por comissão da Câmara
Published
2 horas atráson
18/06/2026 00:00:58By
infocowebO relator da comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa mudanças no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), leu nesta quarta-feira (17) seu parecer sobre o Projeto de Lei 8085/14, do Senado, que tramita em conjunto com outras 270 propostas. Ribeiro apresentou um substitutivo que consolida boa parte dos projetos e das sugestões colhidas ao longo dos debates na comissão.
Um pedido de vista coletivo adiou a discussão e a votação do parecer pela comissão, que deverá retomar a análise do texto no dia 7 de julho, em reunião marcada para as 14 horas. Segundo o presidente do colegiado, deputado Coronel Meira (PL-PE), a expectativa é que a proposta seja votada em seguida no Plenário da Câmara no dia 8 de julho.
Uma das medidas propostas é a Permissão para Dirigir (PPD) para jovens com mais de 16 anos. Segundo o texto de Ribeiro, o menor de 18 anos poderá dirigir veículos da categoria B em perímetros urbanos, entre as 5h e as 23h59, desde que esteja sempre acompanhado por um adulto habilitado há pelo menos dois anos.
Na categoria A (motos até 150 cilindradas), o jovem poderá dirigir desacompanhado, mantendo as mesmas restrições de horário e local.
“A medida pretende ampliar o acesso dos jovens à habilitação, conferir mais autonomia em deslocamentos para estudo e trabalho e permitir a formação gradual de condutores sob supervisão”, justificou Ribeiro.
O substitutivo também reduz a idade mínima para categorias profissionais. Para habilitar-se nas categorias D e E, a idade exigida cai de 21 para 20 anos. O relator afirma que a medida visa reduzir a falta de profissionais no transporte de cargas e passageiros, além de incentivar a entrada de jovens adultos no mercado de trabalho.
Formação
O processo de formação de motoristas, de acordo com a proposta, passará também por uma simplificação para reduzir custos.
O texto cria um teto nacional para as taxas cobradas no processo de habilitação: R$ 30,00 para a abertura e emissão da PPD em qualquer categoria, e R$ 50,00 para cada exame realizado, seja escrito ou de direção. Outra inovação é a possibilidade de o candidato optar por realizar o exame em veículos com câmbio automático.
A CNH definitiva, aos 18 anos, será emitida de forma automática e gratuita, caso o condutor não tenha cometido infrações graves ou gravíssimas ou não seja reincidente em infração média.
A carga horária mínima de aulas práticas de direção foi fixada em 5 horas-aula para as categorias A e B e em 10 horas-aula para as categorias C, D e E. Já os cursos teóricos poderão ser realizados nas modalidades presencial, remota ou à distância (EAD). Hoje o padrão é de 2 horas-aula, conforme resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
A versão do relator prevê ainda a obrigatoriedade de o Ministério da Educação se manifestar técnica e expressamente sobre todas as normas do Contran que tratem do processo de habilitação ou de educação para o trânsito.
CNH social
Na frente voltada a condutores de baixa renda, a proposta fortalece a CNH Social, que será financiada pela destinação de 5% do valor das multas de trânsito arrecadadas em cada estado e no Distrito Federal.
Os recursos serão depositados em fundos estaduais específicos e cobrirão todas as taxas e despesas relacionadas ao processo de formação e emissão do documento.
Médico e psicológico
O projeto exige que os motoristas passem por avaliação psicológica em todas as renovações da CNH. Atualmente, o exame é obrigatório apenas na primeira habilitação. A mudança busca identificar transtornos mentais que possam surgir com o tempo e comprometer a segurança nas vias. Médicos e psicólogos poderão ainda reduzir o prazo de validade dos exames caso detectem indícios de doenças progressivas ou deficiências físicas e mentais.
O texto também cria o Prontuário Nacional do Condutor para registrar as perícias, o que impede que condutores omitam restrições de saúde em diferentes estados. Motoristas com bom histórico no registro de condutores positivos terão renovação automática, mas a realização dos exames de saúde continua obrigatória.
Autoescolas
As antigas autoescolas, pela proposta, passam a ser denominadas oficialmente como Escolas de Trânsito, mas continuam sendo empresas credenciadas pelos Detrans e responsáveis pela formação teórica e prática e por cursos de reciclagem.
Uma novidade da formação é a permissão para que instrutores autônomos atuem como Microempreendedor Individual (MEI) nas categorias A e B, desde que utilizem veículos com duplo comando de freios e sistema de monitoramento das aulas. Esses instrutores, no entanto, não poderão ministrar aulas práticas de direção para candidato menor de 18 anos.
“Sugerimos a convivência entre aulas práticas ministradas por Escolas de Trânsito e por instrutores autônomos, com requisitos equivalentes de segurança veicular”, argumenta o relator.
A deputada Erika Kokay (PT-DF), uma das que pediu vista, demonstrou preocupação com a regulamentação do instrutor autônomo para evitar a perda de direitos trabalhistas dos profissionais contratados (celetistas). “Nós temos uma preocupação de que os trabalhadores não venham a ser precarizados, ‘pejotizados’ e nós tenhamos, em verdade, a destruição de direitos que foram construídos com muita luta”, disse.
Para apoiar as novas escolas, o projeto cria o Programa Emergencial de Apoio Financeiro às Escolas de Trânsito, prevendo um auxílio de R$ 1.000 mensais por instrutor vinculado à escola. O benefício terá duração de seis meses, com efeitos retroativos a 1º de dezembro de 2025, podendo ser prorrogado por igual período.
Pedágios
Sobre o funcionamento dos pedágios, o texto regulamenta o sistema de livre passagem (free flow), obrigando as concessionárias a realizar campanhas informativas e a instalar sinalização ostensiva antes dos trechos de cobrança.
O substitutivo também diversifica as formas de pagamento para usuários que não possuem meios eletrônicos (como tags). A quitação da tarifa poderá ser feita de forma antecipada ou em até 30 dias após a passagem, via Pix, cartão de crédito ou débito em canais digitais da concessionária. Também deve ser oferecida a opção de pagamento em espécie ou cartão em instalações físicas às margens da rodovia.
Os usuários deverão receber notificações de todas as passagens por meio de uma plataforma digital federal, que também permitirá a consulta e quitação de débitos. A falta dessas notificações ou de opções de pagamento impede a aplicação de multas por evasão.
Patinetes
O projeto passa a exigir registro e emplacamento traseiro para os equipamentos de mobilidade autopropelidos, como bicicletas e patinetes elétricos, conforme regulamentação a ser editada pelo Contran.
Para operar esses equipamentos, será necessária uma autorização simplificada para condução de autopropelido (ACA), destinada a maiores de 16 anos que sejam aprovados em exame escrito sobre legislação de trânsito. O uso de capacete de segurança é obrigatório para condutores e passageiros.
A circulação deve priorizar ciclovias; em calçadas, a velocidade máxima é de 6 km/h para proteger pedestres. Esses veículos podem circular em vias urbanas de até 60 km/h, preferencialmente pelo bordo direito. O texto passa a prever multas para quem descumprir essas regras.
Veículos autônomos
A circulação de veículos autônomos e semiautônomos deverá, pela proposta, ser regulamentada pelo Contran, que definirá níveis de automação e requisitos mínimos de segurança para cada nível.
O órgão deverá especificar ainda testes e ensaios necessários para certificação e fixar procedimentos para investigar acidentes envolvendo esses veículos.
Radares
Por fim, em relação à fiscalização geral, o projeto proíbe o uso de radares ocultos ou instalados de maneira pouco visível em árvores e postes.
O texto deixa claro que a autuação por excesso de velocidade só será válida se houver sinalização clara do limite de velocidade no local e se existirem estudos técnicos públicos que justifiquem o limite estabelecido.
Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei
Reportagem – Murilo Souza
Edição – Pierre Triboli
Fonte: Câmara dos Deputados
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