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Rastro deixado pelo “Mestre dos Magos” levou CNJ a império de desembargador afastado em MT

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A queda do desembargador Dirceu dos Santos, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), trouxe à tona um nome já conhecido nas investigações sobre corrupção no Judiciário brasileiro.

O lobista de Mato Grosso, Andreson Oliveira Gonçalves, conhecido como “Mestre dos Magos”, está preso em Brasília e agora surge na nova decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) como um personagem cuja “complexidade” permitiu desvendar o verdadeiro balcão de negócios espúrios nos tribunais.

O ministro Mauro Campbell Marques, corregedor nacional de Justiça, detalhou no corpo da decisão como o rastro de Andreson foi o fio condutor para chegar ao gabinete de Dirceu dos Santos:

O documento revela que foi a perícia técnica nos arquivos de Andreson e do advogado Roberto Zampieri (executado em 2023 em Cuiabá) que permitiu à PF (Polícia Federal) identificar Luciano Cândido Amaral, o operador direto de Dirceu dos Santos.

O Mestre dos Magos

Conhecido como “Mestre dos Magos”, Andreson já era alvo após o ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), manter sua prisão por entender que o lobista simulou uma condição de saúde “esquelética” para obter prisão domiciliar. Em meados de janeiro, Zanin destacou que ele ganhou 13 kg em apenas três meses fora da prisão e que teria fingido sintomas de dor para enganar peritos.

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Considerada a complexidade do material, a partir do qual se identificou a atuação do também lobista ANDRESON OLIVEIRA GONÇALVES, cuja conduta resultou na assim denominada ‘Operação Ultima Ratio’, em âmbito judicial, que direcionou as apurações para o TJMS e para servidores do STJ (Superior Tribunal de Justiça), a Corregedoria Nacional de Justiça solicitou o apoio institucional da Polícia Federal (PF) (…) ocasião em que foi identificada, em 02 de julho de 2025, a atuação de LUCIANO CÂNDIDO AMARAL, denominado como ‘Irmão gêmeo do desembargador DIRCEU’ na lista de contatos do falecido advogado“, cita trecho literal da decisão.

Agora, a nova denúncia mostra que o ecossistema operado por Zampieri foi fundamental para que o desembargador Dirceu acumulasse um patrimônio de R$ 15,5 milhões, incluindo uma mansão na Flórida (EUA) e outros 92 imóveis. O CNJ identificou que o magistrado gastou, apenas em 2023, R$ 1,9 milhão a mais do que seus rendimentos permitiam.

Afastamento e bloqueio de bens

Em 2 de março, o ministro Mauro Campbell Marques determinou o afastamento cautelar do desembargador Dirceu dos Santos de suas funções no TJ-MT. Além da suspensão do cargo, a decisão ordenou o lacre do gabinete do magistrado e o bloqueio total de suas senhas de acesso aos sistemas eletrônicos do Judiciário (PJe). Em uma força-tarefa, computadores, notebooks, tablets e celulares funcionais foram apreendidos para perícia.

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Max Russi afirma que presidente e Câmara não podem intervir; cabe ao Senado ‘tomar das rédeas’ do STF

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Em meio as investigações envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o Banco Master, o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado estadual Max Russi (Podemos), avaliou que quem deveria se responsabilizar pela situação é o Senado. O parlamentar comentou que o desgaste na imagem do Supremo é visível e afeta a confiança da sociedade nas instituições.

“Sinceramente, eu acho que tem que ser tomado as rédeas. Isso aí não está sendo legal para o STF, está desgastando muito a imagem do Supremo Tribunal Federal, que é uma instituição que tem que gozar do maior respeito. […] Não tem nenhum brasileiro que esteja feliz, que esteja contente e que providências precisem ser tomadas. Envolve o STF, envolve o Poder Legislativo e coloca todo mundo dentro do mesmo balaio”, afirmou Russi na quarta-feira (09).

Questionado sobre os caminhos para solucionar o impasse, o presidente da ALMT pontuou que o papel central cabe unicamente ao Legislativo, representado pelo senador Davi Alcolumbre (União). Além de ressaltar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os demais parlamentares não possuem prerrogativa para fazer as movimentações que o público tem cobrado.

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“A Casa que precisa fazer algo de forma muito forte e tem condição de fazer isso. A última esperança dos brasileiros é o Senado da República. O presidente da República não tem condição de fazer isso. A Câmara Federal não tem condição de fazer isso. Os Estados não têm condição. A única instituição é o Senado da República”, declarou.

Russi também enfatizou que nenhum cidadão está acima da lei, independentemente do cargo que ocupe.

“Qualquer brasileiro tem que ser submetido aos rigores da lei. Então, pode ser ministro, pode ser deputado, pode ser empresário, pode ser quem for. Eu acho que ninguém está livre, se fizer ilícito, se fizer alguma coisa errada, de passar por um processo de avaliação, de julgamento, porque se fez errado, tem que ser julgado, porque a sociedade brasileira não aceita isso”, declarou.

Por fim, ao comentar sobre a expectativa em relação à atuação do presidente do Senado e o legado dos parlamentares frente a esse momento histórico, Max Russi fez um paralelo com sua própria trajetória no Legislativo estadual. Destacando que a história cobrará posicionamentos de todos os envolvidos, especialmente do Senado.

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“É igual à minha história como presidente da Assembleia. Se eu não fizer as boas defesas, os bons projetos, os bons encaminhamentos, daqui uns anos meus filhos, meus netos vão ver a história que o pai deixou aqui como presidente da Assembleia. Ele [Davi Alcolumbre] vai deixar uma história como presidente do Senado. Se ele for omisso, eu tenho certeza de que a história vai cobrar”.

Cabe ao Senado colocar em pauta e decidir sobre o afastamento de ministros do Supremo.

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