O ex-prefeito de Juara (687 km de Cuiabá), Priminho Riva, afirmou que o senador Wellington Fagundes (PL) exigia a devolução de 20% dos valor de emendas parlamentares quando exercia o mandato de deputado federal. Segundo ele, o dinheiro era depositado na conta de um assessor de Fagundes. Priminho disse que não apoia a candidatura de Wellington ao governo e classificou uma eventual vitória de Fagundes como uma “tragédia para Mato Grosso”.
Anteriormente, o ex-prefeito de Porto Alegre o Norte Daniel do Lago (PSDB) já havia feito denúncia semelhante. O episódio gerou, inclusive, munição aos adversários de Wellington no debate promovido pela TV Vila Real. O candidato recorreu judicialmente contra as declarações. Priminho, por sua vez, também foi contundente nas denúncias.
“Não apoio de jeito nenhum o senador Wellington Fagundes. Não apoio porque, quando deputado federal, eu era prefeito e essa questão do deputado federal extorquir os municípios, prefeito, essas coisas estão erradas”, disparou Priminho Riva em entrevista ao Olhar Direto.
Segundo o ex-prefeito, a liberação de emendas para Juara estaria condicionada ao pagamento de parte do recurso. Ele afirmou ainda que a prática teria ocorrido também com outros prefeitos.
“O Wellington Fagundes não liberava uma emenda para um município, principalmente para o meu, se eu não pagasse para liberar. Também fazia com outros prefeitos”, declarou.
Priminho relatou que teria sido obrigado a aceitar a condição em uma situação envolvendo recursos do Fundo Emergencial, que seriam utilizados para a construção de pontes no município.
“Me obriguei que ele ficasse com a emenda que era direcionada por ele. Mas é difícil você pegar um recurso aonde você tem que devolver 20% e fazer as obras”, disse.
De acordo com o ex-prefeito, a suposta devolução dos recursos comprometia o orçamento destinado às obras. Ele afirmou que, após o desconto, precisava buscar ajuda de produtores rurais para conseguir materiais utilizados na construção das pontes.
“Você tira 20% do orçamento que já vem defasado há mais de ano e que demora para liberar o recurso. Aí, quando você vai construir, o recurso não dá, a prefeitura não tem dinheiro para bancar”, relatou.
Ao ser questionado sobre como se sentia diante da situação, Priminho foi direto: “Me senti extorquido como tantos outros prefeitos também foram extorquidos”.
Ele afirmou ainda que outros parlamentares cobrariam percentuais diferentes, mas atribuiu a Wellington uma suposta exigência de 20%.
“É um cúmulo um deputado pedir 20% do seu recurso. Tem deputado que pedia 30%, deputado de 50%, mas o Wellington era 20% e ainda pedia para depositar na conta de um assessor dele”, concluiu Priminho.