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POLÍCIA

Caso Valley; começa hoje novo júri de bióloga que matou jovens em acidente

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Começa nesta terça-feira (23), às 9h, o novo julgamento de Rafaela Screnci da Costa Ribeiro, acusada de atropelar 3 jovens em frente à boate Valley Pub, em Cuiabá, em dezembro de 2018. Duas das vítimas morreram e uma terceira ficou gravemente ferida.

 

As sessões do Tribunal do Júri serão conduzidas pela juíza Mônica Catarina Perri, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, e não serão transmitidas online. A juíza também não liberou a divulgação de fotos, vídeos e áudios.

 

A defesa da ré é feita pelo advogado Rodrigo Grecelle Vares. Já a assistência de acusação é representada pelos advogados Mauro Viveiros Filho, Victoria Regina Viveiros e Regina Reverdito Viveiros, familiares de uma das vítimas.

 

O acidente ocorreu por volta das 5h50 do dia 23 de dezembro de 2018, na avenida Isaac Póvoas. Segundo as investigações, Rafaela conduzia uma Renault Duster Oroch quando atropelou Myllena de Lacerda Inocêncio, de 22 anos, Ramon Alcides Viveiros, de 25, e Hya Giroto Santos, de 21.

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Myllena morreu ainda no local. Ramon chegou a ser internado, mas morreu cinco dias depois. Hya sobreviveu após ficar em coma e passar por quatro cirurgias.

Montagem/Gazeta Digital/Redes Sociais

Myllena Hya Ramon

Na época, Rafaela foi presa em flagrante e autuada por homicídio culposo na direção de veículo automotor e lesão corporal culposa. Após audiência de custódia, ela pagou fiança e passou a responder ao processo em liberdade.

 

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) sustenta que a acusada dirigia sob efeito de álcool e em alta velocidade, assumindo o risco de provocar a morte das vítimas.

 

Rafaela já havia sido submetida a julgamento em dezembro de 2022, quando foi absolvida. A decisão, proferida pelo juiz Wladimir Perri, levou em consideração laudos periciais que apontaram que as vítimas teriam assumido risco ao utilizarem a via pública.

 

Posteriormente, a sentença foi anulada, determinando a realização de um novo júri popular, que tem início nesta terça-feira.

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POLÍCIA

Rastreadores escondidos em bolsas, carros e até brinquedos expõem nova forma de violência contra mulheres

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Pequenos, baratos e facilmente encontrados na internet, dispositivos de rastreamento criados para localizar objetos perdidos estão sendo usados por agressores para perseguir e monitorar mulheres. A prática, cada vez mais frequente em São Paulo, acende um alerta entre autoridades e especialistas por representar uma nova face da violência de gênero, impulsionada pelo avanço da tecnologia.

As chamadas “tags” de rastreamento, desenvolvidas para localizar chaves, mochilas e outros pertences, passaram a ser escondidas em veículos, bolsas, calçados, mochilas escolares e até brinquedos de crianças para acompanhar, em tempo real, a rotina de vítimas, principalmente após o fim de relacionamentos.

Os reflexos desse tipo de crime já aparecem nas estatísticas. Na 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), na região central da capital paulista, os registros de perseguição (stalking) cresceram 15,5% no primeiro trimestre de 2026. Foram 104 boletins de ocorrência entre janeiro e março, contra 90 no mesmo período do ano anterior.

Monitoramento pelo filho

Um dos casos investigados envolve uma pedagoga de 46 anos que descobriu estar sendo monitorada após receber um alerta no celular indicando que um dispositivo desconhecido acompanhava seus deslocamentos.

Depois de horas procurando o rastreador, ela encontrou a tag escondida dentro do sapato do filho de seis anos, que alternava períodos entre a casa da mãe e do pai por determinação judicial. Antes disso, segundo relato da vítima, um gravador também teria sido encontrado dentro de um ursinho de pelúcia levado pela criança.

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A mulher registrou boletim de ocorrência, entregou o dispositivo à polícia e solicitou medida protetiva, mas o pedido foi negado. Posteriormente, o caso foi investigado e acabou arquivado.

Tecnologia amplia formas de controle

Para especialistas que atuam no combate à violência doméstica, a tecnologia tem permitido que agressores mantenham controle sobre ex-companheiras sem qualquer contato físico.

Segundo a delegada responsável pela 1ª DDM de São Paulo, os rastreadores já foram encontrados escondidos em escapamentos de veículos, mochilas e objetos utilizados pelos filhos do casal. Em alguns casos, a localização do equipamento exige uma busca minuciosa.

Além das tags, aplicativos instalados clandestinamente em celulares também preocupam as autoridades. Esses programas permitem que o agressor acompanhe localização, conversas e parte da rotina da vítima sem que ela perceba.

Crime difícil de provar

Apesar do aumento dos relatos, ainda não existem estatísticas específicas sobre o uso de dispositivos tecnológicos em casos de perseguição. Atualmente, essas ocorrências costumam ser registradas apenas como stalking, sem distinção da ferramenta utilizada.

Para o Ministério Público e especialistas em violência doméstica, o baixo custo dos rastreadores e a facilidade de acesso aos equipamentos contribuíram para a expansão desse tipo de crime.

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O monitoramento clandestino pode configurar o crime de perseguição, previsto no artigo 147-A do Código Penal. Dependendo das consequências emocionais provocadas na vítima, também pode ser caracterizado como violência psicológica.

Outro desafio apontado por promotores é a dificuldade de reunir provas. Muitas mulheres percebem sinais de monitoramento, mas nem sempre conseguem comprovar tecnicamente que estavam sendo rastreadas.

Violência silenciosa

Especialistas alertam que, quando filhos são utilizados para facilitar o monitoramento da mãe, a prática também pode ser enquadrada como violência vicária — modalidade reconhecida pela Lei Maria da Penha, em que pessoas próximas são usadas para atingir emocionalmente a vítima.

Advogadas que atuam na defesa dos direitos das mulheres orientam que, ao encontrar um dispositivo suspeito, a vítima preserve o equipamento, registre imagens, reúna mensagens que demonstrem conhecimento indevido sobre sua rotina e procure imediatamente uma Delegacia da Mulher.

O tema ganhou ainda mais destaque após a atualização do canal Ligue 180 pelo Governo Federal, motivada pelo aumento dos relatos de violência contra a mulher no ambiente digital. O objetivo é ampliar o acolhimento às vítimas e fortalecer o enfrentamento às novas formas de violência facilitadas pela tecnologia.

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