Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.
Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.
CUIABÁ

Ministério Público MT

Desmistificação do agronegócio mato-grossense é tema de entrevista

Publicado em

O projeto “Diálogos com a Sociedade” encerrou sua primeira temporada desta edição nesta sexta-feira (11), com debate voltado ao meio ambiente, após um mês intenso de entrevistas com autoridades públicas e especialistas nos mais diversos temas de interesse social. A iniciativa, fruto de parceria entre o Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) e a Rádio CBN Cuiabá, ouviu no último dia o promotor de Justiça Marcelo Caetano Vacchiano, designado para atuação na Procuradoria de Justiça Especializada em Defesa Ambiental e Ordem Urbanística, e o presidente da Aprosoja-MT, Lucas Costa Beber.Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de grãos 2024/25 tem perspectiva de atingir o maior volume da série histórica. Para o promotor de Justiça Marcelo Caetano Vacchiano, que também é diretor-geral da Fundação Escola Superior do Ministério Público de Mato Grosso (FESMP-MT), a sustentabilidade é o princípio norteador da atuação da instituição na área ambiental. “Produzir sempre causa algum impacto, seja plantando, colhendo ou extraindo. A questão é como diminuir esse impacto ao máximo”, explicou.De acordo com o presidente da Aprosoja-MT, Lucas Costa Beber, Mato Grosso é uma das maiores potências agropecuárias do país, líder na produção de carne bovina, soja e algodão. Por isso, é essencial que a população compreenda o papel do agronegócio no desenvolvimento do estado. “As pessoas se perguntam o que têm a ver com a agricultura. Gosto de lembrar da pandemia, que trouxe muitos desafios, mas também revelou o quanto o setor é essencial. Enquanto a economia de outros estados recuava, Mato Grosso cresceu”, disse.O presidente destacou ainda que nos últimos quatro anos o estado teve os maiores saltos no Produto Interno Bruto (PIB), no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e em avanços na educação. “Isso desmistifica a ideia de que o agronegócio é um peso para o estado. Na verdade, ele tem mostrado que todos que vivem em torno disso cresce e a sociedade cresce junto.”, completou.A missão do MPMT é garantir que a produção ocorra de forma responsável, com respeito às leis ambientais, como a preservação da área de reserva legal. O promotor de Justiça enfatizou que o órgão atua tanto na prevenção quanto na responsabilização daqueles que não seguem as normas, com deveres administrativos, civis e penais. “É preciso desmistificar a ideia de que o setor produtivo como um todo desrespeita o meio ambiente. A maioria dos produtores segue a legislação. O problema está em uma minoria que atua à margem da lei, muitas vezes de forma clandestina, e é sobre esses que o MP age com mais rigor”, afirmou.Diante dos desafios ambientais, Lucas Costa Beber defendeu que o equilíbrio entre produção e preservação passa por incentivar boas práticas no campo, punir quem descumpre a legislação e valorizar os produtores que agem corretamente. Como exemplo, citou o projeto “Guardião das Águas”, que reúne dados sobre a preservação das nascentes em áreas rurais. “Mais de 95% das nascentes do nosso estado estão em boas condições na zona rural, números que não vemos nem em outros estados, nem em outros países”, destacou.O promotor Marcelo Vacchiano chamou a atenção para o contraste entre o meio rural e o urbano. Segundo ele, o projeto “Águas para o Futuro” do MPMT revela que cerca de 85% das nascentes localizadas em áreas urbanas estão degradadas. “As nascentes urbanas enfrentam desafios específicos: estão mais expostas aos lixos, à degradação e ao assoreamento, justamente em áreas onde a população mais se concentra. Já no meio rural, o produtor costuma ter uma relação mais direta com a nascente, seja pelo uso próprio ou pelo impacto na produtividade, o que geralmente resulta em maior cuidado e preservação”, explicou o promotor.Outro tema abordado durante a entrevista foi a Moratória da Soja, um acordo comercial firmado por empresas signatárias que se comprometem a não comprar soja produzida em áreas desmatadas no bioma Amazônia após 2008, partindo do pressuposto de que esses desmatamentos seriam ilegais. Para o promotor de Justiça Marcelo Vacchiano, essa premissa é equivocada. “O Código Florestal permite o desmatamento autorizado, desde que sejam seguidas regras específicas. Ele estabelece limites proporcionais ao bioma onde a propriedade está inserida, considerando a fragilidade ambiental da Amazônia, do Cerrado e do Pantanal. O problema é que, mesmo com a autorização legal para desmatar e produzir, o acordo comercial impede a comercialização, o que gera um conflito entre a legislação brasileira e as exigências do mercado internacional”, explicou.Segundo o presidente da Aprosoja-MT, a Moratória da Soja é uma exigência imposta principalmente pelo mercado europeu e, originalmente, deveria ter caráter provisório. “A moratória foi pensada como uma medida paliativa até a aprovação do novo Código Florestal, que ocorreu em 2012. A partir daí, ela deveria ter deixado de existir. O problema é que se manteve em vigor e acabou se sobrepondo a nossa legislação. Trata-se de um acordo comercial entre empresas privadas, do qual os produtores não participaram, mas acabaram sendo penalizados. Mesmo quem desmatou dentro da legalidade, respeitando uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo, passou a ser excluído por parte dos compradores internacionais que, simplesmente, se recusam a adquirir a produção desses produtores”, concluiu Beber.As entrevistas do projeto Diálogos com a Sociedade seguem até o dia 11 de abril, das 14h às 15h, no estúdio de vidro localizado na entrada principal do Pantanal Shopping, com transmissão ao vivo pelo canal do MPMT no YouTube. A iniciativa conta com o apoio de empresas privadas, como Pantanal Shopping, Rádio CBN, Aprosoja, Energisa Mato Grosso, Unimed Mato Grosso, Bodytech Goiabeiras e Águas Cuiabá.

Leia Também:  Mato Grosso e o desafio de sustentar a melhora na educação básica

Fonte: Ministério Público MT – MT

Advertisement

Ministério Público MT

Júri do caso Zampieri encerra segundo dia com interrogatórios

Published

on

O segundo dia de julgamento dos três acusados de participação no homicídio do advogado Roberto Zampieri foi encerrado na noite desta quarta-feira (30), após cerca de dez horas de sessão no Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá. Os trabalhos foram marcados pelos interrogatórios dos réus e pela análise de pedidos apresentados pela defesa.Atuam na acusação os promotores de Justiça Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva Martins, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do MPMT. A sessão é presidida pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, titular da 11ª Vara Criminal, Justiça Militar e Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá.Durante o interrogatório, Antônio Gomes da Silva confirmou ter recebido uma fotografia de Roberto Zampieri quando ainda estava em Belo Horizonte (MG). Em outro momento, questionado sobre o sentimento após o homicídio, respondeu que foi o de “missão cumprida”.Antônio ainda evitou, em depoimento, comentar sobre eventual participação do Coronel Caçadini e confirmou o envolvimento de Hedilerson.O segundo interrogatório foi o de Hedilerson Fialho Martins Barbosa, que negou participação no homicídio, apesar de reconhecer que a arma utilizada por Antônio era sua. Já o terceiro a ser interrogado foi Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas – coronel Caçadini. Ele confirmou que conheceu Antônio Gomes da Silva em setembro de 2023, quando o contratou para realizar uma reforma em seu escritório.Caçadini ainda relatou manter relação próxima com o empresário Aníbal Manoel Laurindo, apontado nas investigações como um dos mandantes do crime. Conforme afirmou, os dois mantinham conversas frequentes.A defesa de Antônio Gomes da Silva requereu a suspensão do julgamento, com o desmembramento do processo em relação ao acusado e sua submissão a incidente de insanidade mental. Alternativamente, pediu que os jurados fossem chamados a deliberar, em quesitos específicos, sobre eventual inimputabilidade ou semi-imputabilidade do réu. Os promotores de Justiça manifestaram-se contra os pedidos, que foram indeferidos pelo José Mauro Nagib Jorge.O julgamento será retomado na quinta-feira (1º), quando terão início os debates entre acusação e defesa perante o Conselho de Sentença, etapa que antecede a deliberação dos jurados e a definição do veredicto.

Leia Também:  MP pede que município restabeleça funcionamento de farmácia

Fonte: Ministério Público MT – MT

Continue Reading

CUIABÁ

VÁRZEA GRANDE

MATO GROSSO

POLÍCIA

MAIS LIDAS DA SEMANA