O Tribunal do Júri da Comarca de Juína emitiu uma sentença condenatória de 28 anos, 6 meses e 6 dias de prisão para Angélica Saraiva de Sá pelo homicídio do ativista LGBTQIA+ Rogério Diego dos Santos, conhecido por sua persona drag queen, Julya Madsan.
O julgamento, ocorrido na última quinta-feira (7), resultou na decisão unânime do Conselho de Sentença, que considerou Angélica culpada por homicídio qualificado, ocultação de cadáver, organização criminosa, tortura e corrupção de menor.
Angélica, tida como de alta periculosidade, está detida no Presídio Maria do Couto May, em Cuiabá, respondendo por diversos crimes, incluindo liderança em uma quadrilha envolvida em roubos, tráfico de drogas e homicídios em Mato Grosso.
O assassinato brutal de Rogério, ocorrido em novembro de 2021, envolveu Kleberson Diogo Santana de Lima e dois adolescentes, sob ordens de Angélica. Após ser sequestrado, Rogério foi torturado, sofrendo 16 golpes de facão antes de ser morto. Seu corpo foi encontrado dias depois, em estado avançado de decomposição.
A investigação policial descartou a motivação homofóbica para o crime, indicando que Rogério foi morto devido a suspeitas de furto de uma televisão pertencente a Kleberson. A tortura foi empregada para extrair uma confissão do ativista.
Kleberson, já condenado em julho do ano anterior, recebeu uma sentença de 19 anos, 6 meses e 20 dias de prisão pelo assassinato.
Rogério, reconhecido por sua atuação como Julya Madsan e por seu ativismo pelos direitos LGBTQIA+ em Juína, além de seu engajamento na juventude do Partido dos Trabalhadores (PT), era uma figura proeminente na comunidade. Sua presença ativa nas redes sociais o tornava uma voz importante para debates políticos em defesa dos direitos da comunidade LGBTQIA+ e da população negra.
A morte de Rogério gerou uma onda de luto e homenagens por parte da comunidade ativista em Mato Grosso, com figuras públicas como os deputados Valdir Barranco (PT) e Ludio Cabral (PT) expressando pesar pela perda em suas redes sociais.