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CUIABÁ

ANDERSON YVES

Entre a tomada e o torque: o novo momento do mercado automotivo em Mato Grosso

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Quem observa de fora o mercado automotivo de Mato Grosso costuma resumi-lo em uma única palavra: caminhonete. E não está totalmente errado. O estado construiu sua economia sobre a força do campo. As picapes sempre foram ferramentas de trabalho antes de se tornarem objetos de desejo.

Mas o consumidor evoluiu. Continua exigindo torque e robustez, porém agora quer isso aliado à tecnologia, eficiência e conforto. Não por acaso, o estado recebe lançamentos estratégicos como a nova RAM Dakota, ao mesmo tempo em que modelos eletrificados, como o Leapmotor C10, começam a ganhar espaço na cidade. Não se trata de substituir uma cultura por outra, mas de ampliá-la.

Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o Brasil encerrou o último ano com o recorde de quase 224 mil veículos eletrificados vendidos. Engana-se quem pensa que esse movimento se restringe ao eixo Rio–São Paulo. De acordo com a mesma pesquisa, o Centro-Oeste já responde por mais de 15% das vendas nacionais, o que comprova que o motorista mato-grossense está em busca de alternativas que ofereçam mais tecnologia e eficiência.

Nesse cenário, o principal “freio de mão” para os carros elétricos na região sempre foi a autonomia. Ninguém quer correr o risco de ficar com o veículo descarregado no meio da rodovia. Mas o sucesso de modelos como o Leapmotor C10 REEV, com autonomia que pode chegar a 950 quilômetros, mostra que esse receio vem sendo superado. Por contar com um sistema que gera energia a bordo, o modelo oferece o silêncio e o torque imediato de um elétrico, mas com a segurança de viajar pelo interior sem a preocupação de encontrar uma tomada no meio da estrada. O motorista abastece e segue viagem.

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Por outro lado, a tomada não substitui o torque. As picapes continuam fazendo parte da economia regional e são uma ferramenta indispensável de trabalho. Dados do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso (Detran-MT) mostram que Cuiabá possui atualmente 73.142 caminhonetes e camionetas em circulação, o que representa cerca de 14% de toda a frota da capital. Esse volume explica por que Mato Grosso se tornou parada obrigatória para lançamentos estratégicos, como ocorreu recentemente com a nova RAM Dakota.

Nas concessionárias, percebe-se também um novo perfil de produtor rural. Ele ainda precisa do motor a diesel para o trabalho pesado, mas agora exige o mesmo nível de conforto e os itens de segurança presentes nos SUVs de luxo. Há, porém, uma regra não escrita no agronegócio que os números nem sempre revelam: veículo parado aguardando peça não é apenas desconforto, é prejuízo certo.

Por isso, a escolha de uma picape envolve tanto tecnologia quanto a garantia de um pós-venda ágil e eficiente. A credibilidade de grupos com estrutura e estoque local, como a Domani, torna-se um diferencial decisivo na hora de fechar negócio. Além da estrutura e do pós-venda, esse momento é acompanhado por condições comerciais alinhadas à realidade do produtor rural e das empresas, com modalidades de venda direta para CNPJ, campanhas com taxa zero e valorização do veículo usado na troca, tanto para a linha RAM quanto para os modelos eletrificados da Leapmotor. Nas concessionárias do Grupo Domani, clientes podem conhecer de perto essas soluções, realizar test drive e avaliar qual tecnologia melhor atende às suas necessidades.

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O que se vê hoje no estado não é uma disputa entre o “velho” e o “novo”, mas um mercado que aprendeu a aproveitar o melhor de cada tecnologia. O mato-grossense quer o torque para enfrentar o campo e a tomada para modernizar a cidade. O futuro do setor, por aqui, pertence a quem entende que ele não deseja escolher entre um e outro, mas sim a solução que facilite sua vida, seja no asfalto ou na terra.

*Anderson Yves é Diretor Comercial do Grupo Domani e especialista no setor automotivo, com ampla experiência na gestão de marcas como Fiat, Jeep e RAM em Mato Grosso. À frente das operações do grupo, lidera a expansão da eletrificação no estado em parceria com a Stellantis e a Leapmotor.

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Recuperação Judicial e a Medicina

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Assessoria

Recentemente o CEO da Agro Amazônia afirmou que “a recuperação judicial é um câncer para o agronegócio”. Aceita a comparação, vou levá-la a sério, até as últimas consequências.

Doença grave não se enfrenta com indignação, revolta ou simplesmente desejando que ela não exista. Doença se enfrenta com diagnóstico, ciência, prevenção e tratamento. A doença existe independentemente de gostarmos ou não dela.

A medicina durante décadas, procurou compreender as causas, fatores de risco e seus diferentes comportamentos. Hoje sabemos, por exemplo, que a relação de cigarro e doença é diretamente proporcional. Não foi a indignação contra a doença que produziu esse conhecimento. Foram pesquisa, dados e ciência.

Se fadados a tamanha abjeção na comparação estamos nós, no Direito legalizado de salvar empresas, que há 25 vimos fazendo, sugiro façamos o mesmo com a recuperação judicial.

Parar de reclamar e ajudar a resolver com ciência. Se o Brasil está vivendo uma epidemia de recuperações judiciais, a pergunta intelectualmente séria e honesta não é “como acabar com a recuperação judicial”, mas “por que tantas empresas estão desenvolvendo essa doença e como resolver com segurança essa questão.”

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Juros altos, crédito restrito, Alavancagem, Queda dos preços, Quebra de safra, Oscilações cambiais, Aumento dos custos de produção, Retração econômica são os fatores que aumentam o número de recuperações.

E há outro ponto importante na infeliz metáfora: na medicina, diagnóstico precoce aumenta as chances de cura.

No ambiente empresarial não é diferente. Quanto antes a crise é identificada e enfrentada, maiores são as possibilidades de reorganização e menores tendem a ser os prejuízos para credores, trabalhadores, fornecedores e para a própria economia, permitindo que o produtor consiga se reerguer mais facilmente.

A Lei da Recuperação, que hoje conta com R.E., cautelar e até mediação, criou justamente o ambiente institucional no qual essa situação é enfrentada. Seu artigo 47 estabelece como objetivo preservar a empresa, no caso, o produtor, sua função social, os empregos e os interesses dos credores.

E sim, há recuperações que conseguem reorganizar empresas e outras que não. É exatamente para fazer essa seleção que existe processo judicial, com administrador judicial, credores, assembleia, fiscalização, plano de recuperação e Advogados especializados, principalmente.

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Mais uma vez: doenças não são enfrentadas com frases de efeito. São enfrentadas procurando suas causas, identificando fatores de risco, aperfeiçoando métodos de diagnóstico e desenvolvendo tratamentos cada vez mais eficientes.

Nesse cenário, aqueles que trabalham seriamente com recuperação judicial não são propagadores da doença. São profissionais chamados justamente quando a doença já se manifestou.

Há ainda algo de missionário nessa atividade: enquanto alguns preferem reclamar, pois não enxergam ou não querem enxergar a realidade, não enxergam que outros estão diariamente dentro das empresas tentando salvar atividades produtivas, empregos, patrimônio, fornecedores e créditos.

Por fim, indignar-se com a situação e fácil. Difícil — e necessário — é ter maturidade para compreendê-la e coragem para solucioná-la.

Euclides Ribeiro é advogado há 25 anos sócio fundador da ERS Advocacia

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