A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) deu um passo importante para se tornar referência em pesquisas sobre armazenamento de energia ao formalizar, nesta terça-feira (14.07), o recebimento de um sistema BESS (Battery Energy Storage System) doado pela empresa norte-americana Navvion Energy Storage Systems. A entrega ocorreu durante a visita da delegação da empresa e da parceira chinesa MANST Technology ao Estado, que também cumpriu agenda técnica na Centroaço e na Trael Transformadores, dentro das tratativas para definir onde será instalada uma fábrica de baterias avaliada em mais de R$ 1,1 bilhão.
O equipamento doado é um sistema residencial NavvionZERO com capacidade de armazenamento de 16,1 kWh e inversor híbrido integrado de 10 kW. A tecnologia será utilizada pelo Departamento de Engenharia Elétrica da UFMT em pesquisas, ensaios laboratoriais, testes de conformidade, estudos de desempenho e projetos de integração de microrredes, permitindo que pesquisadores avaliem o comportamento das baterias sob as condições climáticas de Mato Grosso e contribuam para a adaptação da tecnologia ao mercado brasileiro.
O memorando de doação, intermediado pelo senador Wellington Fagundes, estabelece que o equipamento será destinado exclusivamente às atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação da universidade. Entre as linhas de estudo previstas estão ensaios para atendimento às normas da Aneel e do Inmetro, monitoramento dos sistemas de gerenciamento das baterias (BMS e EMS), avaliação da eficiência energética em condições típicas da região Centro-Oeste e estudos sobre integração de sistemas de armazenamento à rede elétrica.
Segundo o professor do Departamento de Engenharia Elétrica da UFMT e ex-reitor da instituição, Evandro Aparecido Soares da Silva, a chegada do equipamento representa um avanço importante para o desenvolvimento científico e tecnológico do Estado.
“A verticalização da produção passa necessariamente por uma oferta de energia mais segura e confiável. A universidade está preparada para contribuir com pesquisa, inovação e formação de profissionais que possam atender essa demanda. A doação desses equipamentos também é estratégica porque permitirá realizar testes em condições climáticas próprias de Mato Grosso, avaliando aspectos como temperatura e desempenho para adaptar essa tecnologia à realidade da nossa região. Esse processo de tropicalização só pode ser feito aqui”.
Além de ampliar a infraestrutura de pesquisa da universidade, a cooperação pode se tornar um diferencial para Mato Grosso na disputa pela instalação da fábrica da Navvion no Brasil. O projeto prevê investimento inicial de R$ 110 milhões para implantação de uma unidade de montagem de sistemas de armazenamento de energia, com capacidade anual de 1,5 GWh e geração de cerca de 150 empregos diretos. Em uma segunda etapa, voltada à fabricação de células de lítio, os investimentos podem ultrapassar R$ 1,1 bilhão, com aproximadamente 500 empregos diretos em cinco anos.
Para o presidente da Navvion América do Sul, Merivaldo Britto, a parceria com a UFMT vai além da pesquisa e busca preparar a mão de obra que será necessária para atender a futura indústria.
“A principal finalidade dessa parceria é desenvolver capacitação técnica e formar profissionais para atender a uma demanda que cresce rapidamente. Precisamos de pessoas preparadas para trabalhar com eletrônica e armazenamento de energia. Os estados que estão sendo avaliados possuem polos industriais consolidados e oferecem incentivos e segurança jurídica. Esses fatores são importantes para qualquer empresa que pretende realizar investimentos de longo prazo”.
Durante a visita também foram discutidas parcerias entre a UFMT e universidades chinesas para o desenvolvimento conjunto de pesquisas na área de armazenamento de energia, caso Mato Grosso seja escolhido para receber o empreendimento.
O senador Wellington Fagundes afirmou que a cooperação entre universidade e iniciativa privada fortalece a posição de Mato Grosso na nova economia da transição energética.
“O Brasil vive um momento decisivo. Nossa matriz é limpa, mas a expansão acelerada da geração solar e eólica exige aquilo que o mundo inteiro já compreendeu: o armazenamento de energia passou a ser um dos pilares da segurança energética. A parceria com a UFMT e a possibilidade de instalação dessa indústria colocam Mato Grosso em posição estratégica para liderar esse novo ciclo de desenvolvimento”.