Em um mergulho profundo nas páginas do passado, Francisco das Chagas Rocha, nascido no Rio Grande do Norte em 1986, tornou-se uma figura emblemática na preservação da história de Cuiabá. Com 53 anos, quatro filhos e uma paixão ardente pelo intricado tecido cultural e político da cidade, Rocha é o cérebro por trás da página “Cuiabá de Antigamente”, uma plataforma que se tornou um verdadeiro tesouro para quem busca conexões com o passado cuiabano.
Acervo de Roberto Rachid Jaudy

Inauguração da Praça José Rachid Jaudy Ano 1970. Administração Prefeito Bento Lobo
Desde a inauguração da Praça José Rachid Jaudy nos anos 1970 até momentos marcantes como o primeiro programa da TV Centro América e desfiles de 7 de setembro na cidade , passando por relatos da elegância da Família Ponce de Arruda, a Matriarca Dona Adelina Ponce de Arruda e as três filhas, Dona Maria de Arruda Muller o que intitula em se post, “Nossa gente, nossos valores” 1969, o acervo de Rocha é um testemunho robusto do cotidiano e das transformações que moldaram Cuiabá ao longo dos anos.
No centro de seu trabalho estão não apenas fotografias antigas, mas uma meticulosa coleta de fatos, relatos e eventos que refletem a essência da cidade. Rocha, apaixonado pela história local e estadual, expandiu sua missão para além das fronteiras virtuais, criando grupos de história em várias cidades de Mato Grosso, solidificando sua posição como um guardião da identidade cultural da região.
Francisco das Chagas Rocha, tornou-se uma figura emblemática na preservação da história de Cuiabá.
“Hoje já estamos com 193 mil membros ativos participando, e no Instagram ainda estamos assim meio timidamente porque já estamos com quase 3 mil membros”, destaca o historiador sobre o alcance impressionante da página. “É o mesmo segmento histórico, nós estamos ali para divulgar as fotos antigas de Cuiabá, as fotos de acontecimentos, de pessoas. Enfim, o nosso intuito é manter a história da cidade sempre presente, sempre viva”, acrescenta.
Casarão na rua 13 de junho, no inicio do seculo XX foi residência dos bispos de CuiabáContudo, por trás do fascínio histórico de Rocha, reside uma realidade desafiadora. Recentemente desligado da Secretaria de Cultura do Município, o historiador enfrenta a busca por novas oportunidades enquanto persiste na missão de alimentar suas páginas de história. “Fui desligado da secretaria de Cultura do Município dia 2 de janeiro desse ano. E enquanto não aparece alguma oportunidade, sigo alimentando minhas páginas de História”, compartilha Francisco.
A paixão de Rocha pela história de Cuiabá não foi um caminho premeditado, mas sim uma jornada que começou em 1986, quando chegou à cidade de Nobres. Inicialmente aspirando ser padre, sua trajetória tomou rumos inesperados na Catedral do Sr. Alpão Jesus, onde acabou desistindo da vida sacerdotal e, ao contrário, encontrou o amor e se casou.
Esse amor pela história foi alimentado pelo contato com famílias antigas de Cuiabá, aprofundando seu conhecimento e resultando em um acervo vasto de fotografias, livros e documentos
“Hoje em dia eu tenho um acervo imenso de fotografias, de livros, documentos, e sou muito procurado por estudantes, universitários, pesquisadores, até pessoas de outros estados e até de outros países me procuram para fazer pesquisa genealógica”, compartilha.
E paradoxalmente, foi a criação da página “Cuiabá MTD Antigamente” que amplificou seu trabalho. “Com a criação da página Cuiabá de antigamente muitas pessoas me procuram e me doaram muitas coisas”, explica. Desde a Família Freitas, que doou mais de 1000 fotos, até o Dr. Leonides de Carvalho, um colecionador de fotos e postais de Belo Horizonte, que enviou uma caixa de fotografias antes de falecer.
A imponente ponte sobre o rio Cuiabá. Ponte Júlio Muller inaugurada em 1942. Uma das obras Oficiais do Governo Júlio Muller
“Geralmente tenho material que nem a família não tem”, destaca o historiador, ilustrando a importância de seu acervo para o resgate e preservação da memória cuiabana.
Enquanto enfrenta um momento desafiador na vida profissional, Rocha não deixa sua paixão esmorecer. Além de Cuiabá, ele estende seu compromisso a outras cidades, criando grupos em Rosário, Nobres, Livramento, Rondonópolis, Guia, Dom Aquino e outros lugares, conectando-se assim com diferentes comunidades e contribuindo para a compreensão mais ampla da história regional.
Seja na busca por documentação em cartórios ou na ampliação de seu acervo através de doações generosas, Francisco das Chagas Rocha é mais do que um historiador; ele é um contador de histórias, um guardião do passado, e sua jornada intriga e inspira, revelando as complexidades e riquezas do legado de Cuiabá que ele dedica sua vida a preservar.
Todas as fotos são do acervo de Francisco das Chagas Rocha.
O endereço da página no Instagram é @cuiaba_de_antigamente .