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AGRONEGÓCIO

Etanol de milho avança no Brasil e transforma excedente agrícola em energia e renda

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O etanol de milho se consolida como um dos principais vetores de transformação do agronegócio global, ampliando a integração entre produção de grãos, energia e proteína animal. Liderado pelos Estados Unidos, o modelo ganha força no Brasil, que já ocupa a segunda posição mundial na produção desse biocombustível e acelera a expansão de sua capacidade industrial.

Esse avanço ocorre sobre uma base robusta. O Brasil é hoje o terceiro maior produtor de milho do mundo, com produção próxima de 130 milhões de toneladas, atrás apenas de Estados Unidos e China. A diferença é que, cada vez mais, parte desse volume deixa de ser exportada in natura para ganhar valor dentro do próprio país.

Nos Estados Unidos, cerca de 40% do milho é destinado à produção de etanol, evidenciando o grau de integração entre agricultura e energia. O Brasil começa a seguir esse caminho, ainda em menor escala, mas em ritmo acelerado.

A produção nacional de etanol de milho saiu de menos de 3 bilhões de litros há poucos anos para projeções próximas de 10 bilhões de litros na safra 2025/26, com crescimento anual em torno de 20%. Atualmente, mais de 20% do etanol consumido no país já tem origem no cereal, ampliando a participação em uma matriz historicamente dominada pela cana-de-açúcar.

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No cenário global, os Estados Unidos concentram mais de metade da produção, mas o avanço brasileiro se apoia em três fatores centrais: disponibilidade de matéria-prima, tecnologia e demanda crescente por combustíveis renováveis.

Para o produtor rural, essa mudança altera a lógica do negócio. O milho deixa de ser apenas uma commodity dependente do mercado externo e passa a contar com uma demanda interna mais estável, ligada à indústria, melhorando a previsibilidade de preços e estimulando investimentos na cultura.

Esse movimento ganha escala no Centro-Oeste, onde a industrialização passou a resolver um dos principais gargalos do agro: a distância dos portos.

Em Mato Grosso, maior produtor nacional de milho, o modelo já está consolidado. O estado produziu mais de 5,6 bilhões de litros de etanol de milho na safra 2024/25 e deve ampliar esse volume nos próximos ciclos. Projeções do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam produção total de 8,44 bilhões de litros na safra 2026/27, sendo 7,33 bilhões a partir do milho e 1,11 bilhão da cana.

A base dessa expansão está na escala produtiva. Na última safra, Mato Grosso colheu 55,43 milhões de toneladas de milho, com cerca de 13,9 milhões destinadas à indústria de etanol, evidenciando a mudança estrutural no destino da produção.

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O impacto vai além da lavoura. Dados da Secretaria de Estado de Fazenda de Mato Grosso (Sefaz-MT) mostram que a cadeia do etanol de milho gerou mais de 147 mil empregos e arrecadou R$ 833,6 milhões em ICMS em 2025, consolidando o setor como eixo relevante da economia regional.

Além do etanol, o processamento do milho gera subprodutos estratégicos. Em 2025, foram produzidos cerca de 2,7 milhões de toneladas de DDG, utilizado na alimentação animal, reduzindo custos na pecuária e aumentando a eficiência da produção de carne.

A estrutura industrial acompanha esse avanço. Mato Grosso já conta com 12 usinas em operação, além de unidades em construção e projetos em fase de planejamento, enquanto o Brasil soma mais de 25 biorrefinarias, com investimentos estimados em mais de R$ 40 bilhões nos próximos anos.

Na prática, o que está em curso é uma mudança de modelo no agronegócio brasileiro. O país mantém sua força como grande produtor de grãos, mas avança na industrialização — e o etanol de milho se consolida como um dos principais instrumentos para capturar valor dentro da própria cadeia produtiva.

Fonte: Pensar Agro

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Colheita avança no Sul enquanto safrinha entra em fase crítica

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A safra brasileira de milho avança em ritmos diferentes conforme a região do país. Enquanto produtores do Sul e parte do Sudeste praticamente encerram a colheita do milho verão, o milho segunda safra — conhecido como safrinha e responsável pela maior parte da produção nacional — atravessa fases decisivas de desenvolvimento no Centro-Oeste e no Paraná, com o clima no centro das atenções do mercado.

Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita da primeira safra está praticamente concluída no Paraná e se aproxima do fim em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em São Paulo, os trabalhos também avançam rapidamente, enquanto Minas Gerais segue acelerando a retirada do cereal das lavouras. A boa produtividade registrada em parte das áreas do Sul ajuda a reforçar a oferta no mercado interno neste início de segundo semestre.

Ao mesmo tempo, o milho safrinha segue em desenvolvimento nas principais regiões produtoras do país. Em Mato Grosso, maior produtor nacional, grande parte das lavouras já está em enchimento de grãos, reflexo do plantio antecipado após a colheita da soja. Em Goiás e Mato Grosso do Sul, as áreas apresentam desenvolvimento variado conforme a época de plantio e o comportamento das chuvas nos últimos meses.

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No Paraná, segundo maior produtor de milho segunda safra do Brasil, muitas lavouras ainda estão em floração e espigamento, fase considerada uma das mais sensíveis para definição do potencial produtivo.

Técnicos do Departamento de Economia Rural (Deral) e da Conab acompanham com atenção as condições climáticas, especialmente diante da redução das chuvas em algumas regiões e da chegada das primeiras massas de ar frio mais intensas do ano.

A preocupação do setor é que períodos prolongados de estiagem ou ocorrência de geadas fora do padrão possam afetar parte das lavouras justamente durante o desenvolvimento reprodutivo. Por outro lado, áreas plantadas dentro da janela ideal ainda apresentam bom potencial produtivo, principalmente em Mato Grosso.

A Conab projeta uma produção robusta para o milho brasileiro na safra 2025/26, sustentada principalmente pela segunda safra, que responde por cerca de 75% da produção nacional. O desempenho da safrinha será decisivo para o abastecimento interno, formação dos estoques e ritmo das exportações brasileiras no segundo semestre.

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No mercado, cooperativas, tradings e indústrias de ração acompanham de perto a evolução climática nas próximas semanas. O comportamento das lavouras no Centro-Oeste e no Paraná deve influenciar diretamente os preços do cereal, os custos da cadeia de proteína animal e o volume disponível para exportação ao longo de 2026.

Fonte: Pensar Agro

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