AGRONEGÓCIO
Brasil prevê colher 186 milhões de toneladas, mas depende do clima
Publicado em
08/09/2026 09:02:26por
infocoweb
O Brasil iniciou o plantio de uma safra de soja que poderá se aproximar de 186 milhões de toneladas e estabelecer um novo recorde. O potencial está sustentado por uma área estimada entre 49 milhões e 49,3 milhões de hectares, mas a confirmação desse volume dependerá da distribuição das chuvas nos próximos meses. Com o El Niño, o país começa a temporada diante de riscos opostos: excesso de água no Sul e precipitações atrasadas ou irregulares em partes do Centro-Oeste, Norte e Nordeste.
As projeções disponíveis colocam a produção brasileira entre 183,5 milhões e 185,6 milhões de toneladas. A estimativa mais recente da consultoria StoneX aponta 183,5 milhões de toneladas, enquanto a Datagro Grãos calcula um potencial de 185,6 milhões. Os números ainda são preliminares e partem de uma condição fundamental: produtividade próxima ou superior à média esperada.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ainda não apresentou o primeiro levantamento oficial da safra 2026/27. Por enquanto, as estimativas das consultorias mostram crescimento moderado sobre a colheita anterior, diferentemente dos saltos registrados pelo país em outros ciclos. A área deverá avançar menos de 1%, no menor ritmo de expansão das últimas duas décadas.
A primeira estimativa da AgRural aponta 49,006 milhões de hectares, aumento de 443 mil hectares ou 0,9% sobre a temporada passada. A Datagro trabalha com 49,3 milhões de hectares, alta de 0,3%. Apesar da diferença entre os levantamentos, ambos indicam que o Brasil deverá ampliar o cultivo de soja pelo 20º ano consecutivo.
Com pouca expansão territorial, o resultado será decidido principalmente pela produtividade. A estimativa da Datagro, por exemplo, considera rendimento médio de 3.763 quilos por hectare. Uma variação de apenas 100 quilos na produtividade nacional, aplicada sobre uma área próxima de 49 milhões de hectares, pode acrescentar ou retirar quase 5 milhões de toneladas da safra.
O plantio começou pelo Paraná, onde as chuvas permitiram a entrada das máquinas em parte das áreas liberadas desde 1º de setembro. Até quinta-feira (3), aproximadamente 0,05% da área nacional havia sido semeada, ante 0,02% no mesmo período do ano passado. Mato Grosso, responsável por mais de um quarto da produção brasileira, também está autorizado a plantar desde segunda-feira (7).
A abertura do calendário, porém, não significa que todas as regiões estejam prontas para receber as sementes. No Centro-Oeste, o produtor precisa esperar que as primeiras precipitações reponham a umidade do solo e apresentem sinais de continuidade. Uma chuva isolada pode ser insuficiente para garantir a germinação e o desenvolvimento inicial das plantas.
O risco é colocar a semente no solo depois de uma primeira chuva e enfrentar, em seguida, vários dias de calor e baixa umidade. Nessa situação, a germinação pode ser desuniforme e obrigar o produtor a refazer parte da operação, elevando os gastos com sementes, combustível, máquinas e mão de obra.
O alerta amarelo emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para esta terça-feira (8) prevê chuva de até 50 milímetros, ventos de até 60 quilômetros por hora e possibilidade de granizo em áreas de mais de 1.170 municípios. O aviso alcança São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Tocantins, Maranhão, Pará e Rondônia.
A abrangência da instabilidade inclui parte importante da região produtora de soja, mas uma tempestade isolada não representa, necessariamente, o início regular do período chuvoso. Para a implantação das lavouras, mais importante do que um grande volume concentrado em um único dia é a continuidade das precipitações nas semanas seguintes.
Em áreas ainda semeadas ou recém-implantadas, chuva intensa acompanhada de ventos e granizo também pode causar erosão, formação de crostas no solo, deslocamento de sementes e danos às plântulas. O Inmet classifica como baixo o risco de estragos generalizados nas plantações dentro do atual alerta, mas recomenda acompanhamento das atualizações meteorológicas.
O El Niño deverá produzir efeitos diferentes em cada região. No Sul, a tendência é de chuvas mais frequentes e volumes acima da média. A condição pode favorecer o potencial produtivo, especialmente no Rio Grande do Sul, depois de temporadas marcadas por estiagens. A própria StoneX elevou sua previsão nacional ao considerar uma perspectiva melhor para a produtividade gaúcha.
O excesso de chuva, entretanto, também traz riscos. Solos encharcados dificultam a semeadura, reduzem as janelas para a entrada de máquinas e podem provocar erosão. Depois da emergência, períodos prolongados de umidade aumentam a pressão de doenças fúngicas, como ferrugem-asiática, mofo-branco, mancha-alvo, antracnose e podridões de raiz.
No Centro-Oeste e no Sudeste, a principal dúvida está relacionada ao início e à regularidade das chuvas. O El Niño pode elevar as temperaturas, reduzir a umidade do ar e atrasar a consolidação das precipitações da primavera. Em Mato Grosso, onde são esperados 13,05 milhões de hectares de soja, o ritmo inicial da semeadura deverá ser definido pela condição de cada região e não apenas pelo calendário oficial.
O momento escolhido para plantar também afeta a segunda safra. Atrasos na soja podem empurrar o milho e o algodão para períodos de menor disponibilidade de água. Plantar cedo demais, por outro lado, aumenta o risco de replantio. O desafio é encontrar umidade suficiente para estabelecer a soja sem comprometer a janela das culturas seguintes.
No Norte e no Nordeste, incluindo áreas da fronteira agrícola do Matopiba, a preocupação está na possibilidade de precipitações abaixo da média e mal distribuídas. A irregularidade pode atrasar o plantio e expor as lavouras a períodos de falta de água em fases decisivas, como floração e enchimento dos grãos.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) recomenda que os produtores respeitem o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), evitem concentrar toda a semeadura em poucos dias e combinem cultivares de ciclos diferentes. O escalonamento distribui o risco e reduz a possibilidade de toda a área atravessar uma estiagem ou um período de excesso de chuva na mesma fase de desenvolvimento.
A manutenção da palhada também terá papel importante. Em áreas mais secas, a cobertura reduz a evaporação, protege o solo do calor e favorece a infiltração da água. Nas regiões sujeitas a chuvas intensas, ajuda a diminuir o impacto das gotas e a perda de terra por erosão. Em terrenos inclinados, plantio em nível e terraceamento aumentam a proteção.
A safra começa com potencial para renovar o recorde brasileiro, mas ainda não há produção garantida. A área pode ser medida antes do plantio; a produtividade, somente depois que o clima atravessar todo o ciclo. Entre a projeção de 183,5 milhões e o teto próximo de 186 milhões de toneladas, a diferença será escrita pela chuva.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Expointer movimenta R$ 6,2 bilhões e máquinas puxam avanço de 40%
Published
20 horas atráson
08/09/2026 10:01:26By
infocoweb
A 49ª Expointer encerrou sua programação com R$ 6,18 bilhões em negócios, crescimento de 39,8% sobre a edição de 2025. O resultado superou as expectativas iniciais e mostrou disposição dos produtores para voltar a investir em máquinas, tecnologia, animais e modernização das propriedades.
O setor de máquinas e implementos agrícolas liderou as negociações, com R$ 5,46 bilhões, alta de 44,83% em um ano. O segmento respondeu por aproximadamente 88% de todo o volume financeiro movimentado durante os nove dias de feira no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio.
O desempenho ficou acima das projeções apresentadas antes e durante o evento. Representantes da indústria trabalhavam com a possibilidade de vendas próximas de R$ 4 bilhões em máquinas. O resultado final ultrapassou essa referência em cerca de R$ 1,46 bilhão.
A reação é relevante porque a compra de uma máquina representa uma decisão de investimento de longo prazo. Tratores, colheitadeiras, pulverizadores, plantadeiras e equipamentos de precisão não atendem apenas à expansão das lavouras. Também permitem reduzir perdas, economizar insumos, executar as operações dentro da janela ideal e aumentar a produtividade.
Parte da procura está relacionada à necessidade de renovação da frota. Produtores que adiaram a substituição de equipamentos voltaram a avaliar compras, especialmente diante da perspectiva de recuperação dos preços de grãos e da valorização da pecuária. A proximidade da implantação da safra de verão também ajudou a colocar tecnologia e capacidade operacional no centro das decisões.
A Massey Ferguson levou 11 lançamentos à Expointer, com atenção especial aos equipamentos destinados à agricultura familiar. A empresa identificou demanda entre produtores profissionalizados que mantiveram o planejamento de médio prazo e precisam ampliar a eficiência das propriedades.
A CNH, controladora das marcas New Holland e Case IH, também utilizou a feira para reforçar suas soluções financeiras e apresentar tecnologias voltadas ao aumento da produtividade. As condições oferecidas incluíram consórcios e linhas do Plano Safra, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar Mais Alimentos (Pronaf Mais Alimentos), o Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota) e sua modalidade destinada ao médio produtor.
Além das linhas bancárias tradicionais, consórcios, cooperativas, financiamento das próprias fabricantes e operações de troca de insumos ou equipamentos por parte da produção ampliaram as possibilidades de negociação. A combinação dessas modalidades permitiu adequar prazos e pagamentos ao fluxo de receita de diferentes propriedades.
O resultado não ficou restrito às máquinas. O setor automobilístico movimentou R$ 668,75 milhões durante a feira. As vendas de animais alcançaram R$ 21,99 milhões, avanço de 21,02% em comparação com 2025. Ao todo, 7.926 animais foram inscritos para exposições, julgamentos e competições.
O Pavilhão da Agricultura Familiar registrou R$ 14,4 milhões em vendas, aumento de 5,57%. Os 509 estandes reuniram empreendimentos de 216 municípios gaúchos, entre agroindústrias, produtores de plantas e flores, artesãos e cozinhas.
Das iniciativas presentes no pavilhão, 400 eram agroindústrias familiares, 74 atuavam no artesanato e 28 comercializavam plantas, mudas e flores. A feira também reuniu 265 empreendimentos conduzidos por jovens, 179 liderados por mulheres e 69 com certificação orgânica.
O artesanato movimentou outros R$ 2,11 milhões. Entre os expositores estavam empreendimentos indígenas e quilombolas, ampliando a presença de diferentes formas de produção e geração de renda dentro do espaço destinado à agricultura familiar.
A movimentação econômica foi acompanhada por um público de 938.470 visitantes. Somente no domingo (6), último dia do evento, 144.516 pessoas passaram pelo parque. A presença de consumidores urbanos, famílias, estudantes e profissionais do setor reforçou a função da Expointer como ligação entre o campo, a indústria e as cidades.
Os números mostram uma feira com crescimento distribuído entre diferentes segmentos. O avanço mais forte das máquinas revela confiança na continuidade da produção e na busca por ganhos de eficiência, enquanto os resultados da agricultura familiar, dos animais e dos veículos demonstram que a movimentação alcançou propriedades de diferentes portes.
Mais do que contabilizar propostas e contratos, a Expointer funcionou como uma vitrine das decisões que deverão aparecer nas próximas safras. A renovação de equipamentos, a adoção de novas tecnologias e a procura por soluções financeiras indicam que parte dos produtores voltou a planejar investimentos.
A próxima edição terá caráter histórico. A 50ª Expointer será realizada de 28 de agosto a 5 de setembro de 2027, novamente no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil. A feira chegará aos 50 anos depois de encerrar 2026 com R$ 6,2 bilhões em negócios e um sinal positivo de confiança no futuro do campo.
Fonte: Pensar Agro
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