Política MT
CST debate desembargos ambientais à agricultura familiar em Mato Grosso
Publicado em
16/07/2026 18:33:16por
infocoweb
A Câmara Setorial Temática (CST) do Desembargo Ambiental da Assembleia Legislativa de Mato Grosso realizou, nesta quinta-feira (16), uma reunião com a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, para discutir os procedimentos relacionados aos desembargos ambientais e ao licenciamento ambiental simplificado.
O debate teve como foco a implementação da Lei Complementar nº 830/2025 e da Lei nº 13.349/2026, que estabelecem regras para a regularização ambiental e o licenciamento simplificado destinados a agricultores familiares e pequenos produtores rurais. Também foram discutidos os desafios enfrentados pelo Estado na execução do Código Florestal e na consolidação de um modelo que concilie proteção ambiental, segurança jurídica e inclusão produtiva.
A Lei Complementar nº 830/2025 estabelece tratamento diferenciado, simplificado e proporcional para infrações ambientais cometidas por agricultores familiares e proprietários de imóveis rurais com até quatro módulos fiscais que desenvolvam atividades agrossilvipastoris. A norma busca conciliar a regularização ambiental com a permanência da produção no campo.
Já a Lei nº 13.349/2026 instituiu o regime de Licenciamento Ambiental Simplificado para atividades agropecuárias desenvolvidas por agricultores familiares e pequenos produtores rurais. A medida é destinada às propriedades que atendam aos critérios de sustentabilidade estabelecidos pelo órgão ambiental estadual, com o objetivo de tornar mais ágil o processo de licenciamento, sem abrir mão das exigências legais.
Para aderir ao novo regime, os proprietários deverão cumprir uma série de requisitos, entre eles manter o imóvel inscrito e regular no Cadastro Ambiental Rural (CAR), não possuir embargos ambientais vigentes na área da propriedade e apresentar declaração de conformidade ambiental, assumindo responsabilidade civil e administrativa por eventuais danos ambientais causados.
A secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, afirmou que os desafios enfrentados por Mato Grosso na regularização ambiental e nos desembargos refletem um problema nacional relacionado à implementação do Código Florestal. Segundo ela, o tema tem sido debatido em nível federal, em reuniões realizadas em Brasília com representantes do Ministério da Gestão e da Inovação, do Serviço Florestal Brasileiro e dos estados da Amazônia Legal e de Mato Grosso do Sul, em busca de soluções para aperfeiçoar a execução da legislação ambiental.
A gestora apresentou dados do Painel de Regularização Ambiental, que apontam mais de 8,3 milhões de imóveis inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR) em todo o país, mas com menos de 10% das análises concluídas. Em relação à área cadastrada, apenas 7,25% tiveram a análise finalizada.
Para a secretária, os números demonstram a complexidade da implementação do Código Florestal e as dificuldades enfrentadas pelos órgãos ambientais diante de lacunas na legislação, da pressão da sociedade e de orientações divergentes dos órgãos de controle, o que exige equilíbrio para cumprir a lei sem comprometer a segurança jurídica e a efetividade da política ambiental.
Mauren Lazzaretti afirmou que Mato Grosso construiu um modelo próprio para conciliar a proteção ambiental com a realidade dos pequenos produtores rurais, transformando o desembargo ambiental em uma oportunidade de regularização. Segundo ela, o objetivo é promover a inclusão produtiva sem abrir mão dos compromissos com o desenvolvimento sustentável, destacando que as medidas adotadas pelo Estado não representam anistia nem retrocesso na legislação ambiental.
A secretária também defendeu que as iniciativas previstas na Lei Complementar nº 830/2025 sejam adotadas de forma mais homogênea pelos demais entes federativos. De acordo com ela, a falta de uniformidade na aplicação das normas pode levar ao questionamento, em âmbito nacional, de atos administrativos praticados por Mato Grosso, como embargos, desembargos e licenças ambientais. Por isso, pediu o apoio da Assembleia Legislativa para fortalecer a defesa do modelo adotado pelo Estado.
Ela afirmou ainda que Mato Grosso se consolidou como referência nacional na regularização ambiental de imóveis rurais, independentemente do tamanho das propriedades. Segundo ela, levantamentos do Climate Policy Initiative (CPI), organização que acompanha, desde a implementação do Código Florestal, o desempenho dos estados na análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do Programa de Regularização Ambiental (PRA), colocam Mato Grosso entre os estados mais inovadores e com avanços contínuos tanto na validação dos cadastros quanto na regularização ambiental.
Lazzaretti destacou que os maiores avanços na validação dos cadastros ocorreram em Mato Grosso, São Paulo e, mais recentemente, no Paraná, resultado da adoção da análise automatizada dos processos. Ela ressaltou que, diferentemente dos estados das regiões Sul e Sudeste, Mato Grosso enfrenta desafios muito maiores em razão da dimensão territorial e da complexidade ambiental, o que torna os resultados ainda mais expressivos.
A secretária também enfatizou que o trabalho desenvolvido pelo Estado recebeu reconhecimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que acompanha, por meio da ADPF 743 (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental), a implementação do Código Florestal nos estados da Amazônia e do Pantanal. Segundo ela, decisões do ministro André Mendonça destacam os avanços de Mato Grosso no cenário nacional da regularização ambiental.
Entre os encaminhamentos definidos durante a reunião está a parceria entre a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) para atuar, por meio da Câmara Setorial Temática (CST) do Desembargo Ambiental, na criação de uma mesa técnica destinada à discussão de soluções relacionadas aos desembargos ambientais.
A iniciativa tem como objetivo construir propostas e aperfeiçoar a legislação, buscando garantir maior segurança jurídica e mecanismos que favoreçam a regularização ambiental e beneficiem os proprietários rurais.
Fonte: ALMT – MT
Política MT
Após Operação Fugazi, Assembleia pressiona por avanço na CPI dos Consignados
Published
4 horas atráson
16/07/2026 16:16:21By
Ana Paula
Deputada Janaina Riva (MDB) cobrava investigação desde 2025 e foi autora do decreto que suspendeu descontos considerados irregulares na folha dos servidores
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (15) a Operação Fugazi, que apura suspeita de fraude em operações de crédito consignado envolvendo a empresa Capital Consig. A investigação apura possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e lavagem de dinheiro.
Segundo a PF, a empresa comercializava cartões de crédito consignado que, na prática, funcionavam como empréstimos com juros altos e mecanismos que impediam a redução do saldo devedor. O resultado, aponta a apuração, era o endividamento crescente e sem previsão de fim para parte dos clientes.
A Capital Consig já era alvo de denúncias de servidores públicos e sindicatos desde 2025. Uma das parlamentares que cobrou providências na Assembleia Legislativa foi a deputada estadual Janaina Riva (MDB), pré-candidata a senadora, que recebeu relatos de descontos considerados irregulares na folha de pagamento e passou a questionar publicamente a forma como os contratos eram firmados.
“É importante essa participação da Polícia Federal para que a gente possa esclarecer isso o quanto antes, separar os bancos bons dos bancos ruins. Existem instituições sérias, mas também existem aquelas que agiram de má-fé, cometeram crimes contra os servidores e precisam ser punidas”, disse a deputada.
Antes da abertura do inquérito, a Assembleia já havia aprovado o Decreto Legislativo nº 79/2025, de autoria de Janaina Riva e do deputado Wilson Santos. A norma suspendeu por até 120 dias os descontos referentes a cartões de crédito consignado, cartões-benefício e contratos considerados suspeitos, proibiu a negativação dos servidores durante esse período e determinou apuração sobre o credenciamento das empresas, as taxas cobradas e a regularidade das operações.
Para Janaina Riva, a investigação criminal não encerra o problema. “O dano já foi causado para milhares de servidores. Nós já recebemos dezenas de pedidos de análise e muitos deles comprovaram a existência de fraude. Quem roubou dinheiro do servidor precisa devolver cada centavo que tirou dessas famílias”, afirmou.
A deputada reforçou o acompanhamento do caso desde o início: “Precisamos encontrar os culpados e ressarcir os prejudicados. Desde 2025, venho enfrentando o escândalo dos consignados ao lado dos servidores: cobrei transparência, ajudei a aprovar a suspensão dos descontos suspeitos, assinei e defendi os pedidos de CPI e pedi a entrada da Polícia Federal na investigação. Agora, com a PF seguindo o caminho do dinheiro, bloqueando bens e buscando identificar os responsáveis, temos um passo importante, mas ainda falta chegar à verdade inteira. Vou continuar lutando pela instalação da CPI, pelo cancelamento dos contratos ilegais e pelo ressarcimento de cada servidor prejudicado”, declarou.
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