A denúncia do Ministério Público de São Paulo contra o tenente-coronel da Polícia Militar, Geraldo Leite Rosa Neto, revela detalhes de um relacionamento marcado por episódios de violência, controle e abusos psicológicos contra a esposa, a policial militar Gisele Alves Santana. O caso ganhou repercussão após a Justiça aceitar a acusação e determinar a prisão preventiva do oficial.
Segundo o Ministério Público, o militar é acusado de feminicídio qualificado, por motivo torpe e com uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, além de fraude processual, sob suspeita de tentar simular um suicídio para encobrir o crime.
Entre as provas reunidas estão mensagens trocadas pelo casal. Em uma delas, o oficial afirma exercer “autoridade de macho alfa provedor”, enquanto se refere à esposa como “fêmea beta obediente e submissa”. Em outro trecho, ele se autodenomina “príncipe e soberano”. Já a vítima, dias antes da morte, relatou agressões físicas e desrespeito no relacionamento.
De acordo com a denúncia, o crime teria ocorrido na manhã de 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal vivia. Os promotores sustentam que, durante uma discussão, o tenente-coronel teria efetuado um disparo de arma de fogo contra a vítima.
Após o ocorrido, ainda conforme o Ministério Público, o militar teria alterado a cena do crime na tentativa de simular suicídio. O documento aponta indícios de manipulação do corpo, reposicionamento da arma e ocultação de vestígios, além de atraso no acionamento do socorro.
A investigação também indica um histórico de violência no relacionamento, incluindo agressões físicas, psicológicas e tentativas de isolamento da vítima de familiares e amigos. Há ainda relatos de exigências e comportamentos considerados abusivos.
Para os investigadores, o crime pode ter sido motivado pela intenção da vítima de encerrar o relacionamento. Dias antes da morte, ela teria procurado apoio da família e manifestado o desejo de se separar.
Inicialmente tratado como suicídio, o caso passou a ser investigado como morte suspeita após inconsistências na versão apresentada. Com base em laudos periciais e novos elementos, houve a reclassificação para feminicídio.
Diante dos indícios, a Justiça determinou a prisão preventiva do oficial e seu afastamento das funções. O caso será julgado pelo Tribunal do Júri.
Em nota, a defesa do acusado nega as acusações e sustenta que não houve feminicídio nem fraude processual, afirmando que a morte da policial foi um suicídio. O processo segue em tramitação.