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CUIABÁ

Lidiane Aburad

Novo compliance da saúde é um marco para gestão empresarial

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O Brasil deu um passo estratégico no início de abril. A sanção da Lei 15.377/2026, que altera a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) para obrigar empresas a informarem seus colaboradores sobre campanhas de vacinação e prevenção ao HPV e câncer de mama, colo do útero e próstata, não é apenas mais uma atualização burocrática. A lei significa o fim da omissão corporativa. O Estado brasileiro finalmente reconhece que a saúde é um ativo contínuo e, acima de tudo, uma responsabilidade compartilhada entre o público e o privado.

Sob a ótica da gestão, essa lei ataca um dos maiores gargalos da produtividade nacional: o custo com a omissão e as perdas geradas por doenças que poderiam ter sido evitadas ou detectadas precocemente. Para o gestor, a nova norma é um convite à eficiência operacional. Um funcionário bem informado sobre o seu direito de ausência para exames preventivos, agora reforçado de forma clara no artigo 473 da CLT, é um colaborador que não se tornará um custo para a empresa – se precisar fazer tratamentos com a doença em estágio avançado – nem para o plano de saúde. É a lógica da prevenção aplicada ao balanço financeiro.

O ponto nevrálgico desta nova legislação é, sem dúvida, o combate ao HPV. Precisamos romper o silêncio. O papilomavírus humano pode gerar custos altos para o sistema de saúde. A obrigatoriedade de conscientização dentro do ambiente de trabalho retira o estigma e coloca a prevenção no centro do debate produtivo. Mas a conscientização, por si só, é apenas metade da ponte. A outra metade está na tecnologia oferecida a essa população após a informação ser entregue.

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É neste cenário que o setor público precisa espelhar o rigor que agora se cobra das empresas. Já passou da hora de os municípios brasileiros se organizarem para ofertar o teste molecular de HPV no Sistema Único de Saúde (SUS). Diferentemente do tradicional Papanicolau, o exame de biologia molecular identifica com precisão o vírus antes mesmo do surgimento de qualquer sintoma ou lesão. A necessidade dessa tecnologia não é opcional. Ela foi estabelecida pela Portaria SECTICS/MS nº 3 de 2024, e o prazo legal de 180 dias para sua implementação já foi superado. O debate agora não é sobre a viabilidade, mas sobre a competência da gestão local em executar o que já é norma.

Do ponto de vista da gestão pública, o argumento é puramente matemático e administrativo. Municípios que investem no teste molecular reduzem drasticamente os encaminhamentos tardios para oncologia, evitam tratamentos de altíssimo custo e diminuem internações que estrangulam o orçamento público. Diagnóstico precoce é uma questão de planejamento financeiro. Trata-se de uma administração eficiente dos recursos. É infinitamente mais barato e humano detectar o DNA do vírus do que tratar um câncer em estágio avançado.

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A integração entre a nova Lei 15.377 e a tecnologia de PCR no SUS cria um ecossistema de proteção inédito no país. De um lado, o empregador educa, orienta e libera o trabalhador. Do outro, o município oferece a ferramenta diagnóstica de ponta que garante a resolutividade do caso. Quando o SUS funciona com processos organizados e fluxos assistenciais bem estruturados, o cidadão sente o resultado, a empresa mantém sua força de trabalho saudável e o Estado economiza para os cofres públicos.
O gestor que ignora a importância da informação preventiva ou o prefeito que adia a implementação do teste molecular estão jogando contra o patrimônio humano e econômico do Brasil. A lei sancionada este mês é o gatilho que faltava para uma mudança profunda de cultura.

O tempo da adaptação e dos discursos vagos já passou. Agora é hora de execução técnica e de responsabilidade administrativa. Gestão eficiente economiza recursos, protege o mercado de trabalho e, fundamentalmente, salva vidas.

Lidiane Aburad é advogada e diretora administrativa do CPC Aburad Diagnóstico.

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O Divórcio Silencioso: quando o fim começa antes da separação

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O Brasil registrou 428.301 divórcios em primeira instância ou realizados por escrituras extrajudiciais.

Esses divórcios acontecem com casais em diferentes fases da vida.

Eis alguns exemplos que ilustram essa realidade:

• Casal jovem, ambos com formação superior — Arquitetura e Engenharia —, filhos de pais de classe média alta. Namoraram durante três anos e viveram juntos por dois anos. Após esse período de convivência, decidiram se casar e realizar uma linda e sofisticada cerimônia religiosa. Seis meses depois, anunciaram o divórcio.

• Casal de meia-idade, com 48 e 45 anos, ambos bem-sucedidos em suas carreiras, pais de três filhos. Após intensos conflitos, decidiram se divorciar.

• Casal em idade avançada, com 76 e 71 anos, ambos bem-sucedidos em seus respectivos negócios, três filhos independentes e residentes no exterior. O marido tomou a decisão de pedir o divórcio, processo que tramita na Justiça.

O casamento, segundo a cultura judaico-cristã, é uma ordem divina:

“Por isso, deixa o homem pai e mãe, e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.” (Gênesis 2:24)

Algumas pessoas podem afirmar que o casamento é apenas um contrato que une duas pessoas.

Mas sabemos que, se não houver amor verdadeiro, nenhum contrato será suficientemente forte para mantê-las unidas.

A verdadeira questão está em uma etapa anterior ao casamento:

👉 Por que existe uma atração tão poderosa entre homens e mulheres?

A chave para um casamento bem-sucedido está na valorização da dimensão espiritual.

Mais do que unir um homem e uma mulher, o casamento deve incluir uma terceira dimensão: Deus.

O rabino Menachem Mendel Schneerson escreveu:

“Um homem e uma mulher sem Deus são como duas chamas que se consumirão mutuamente. Quando se elevam acima de suas limitações individuais e introduzem o divino e o sagrado em suas vidas, tornam-se um, com um vínculo invisível que faz essa união ser muito superior à soma de suas partes.”

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À luz de minha experiência, e de conversas com profissionais divorciados ou em processo de separação, acredito que o divórcio nem sempre começa com discussões acaloradas, portas batendo ou palavras agressivas.

Em muitos casos, ele se instala de forma silenciosa.

E é exatamente aí que mora o maior perigo.

Muitos casais continuam juntos por comodismo, medo, dependência emocional ou financeira, ou até pela autoestima fragilizada.

Mas já não compartilham conexão.

Tornam-se estranhos no mesmo ninho.

Dormem em quartos separados.

Vivem sob o mesmo teto — mas em mundos completamente diferentes.

Há uma música interpretada por Jorge Aragão, “Voo da Paz”, que traduz bem esse cenário:

“Há qualquer coisa entre nós Que nos priva de ser feliz Existe um mal no qual Ninguém diz Tá no ar, dá para ver Há qualquer coisa de errado Entre eu e você…”

Há três anos, assessorei uma executiva da área financeira, oriunda de uma grande empresa global.

Preparada, inteligente, elegante, empática.

Ao discutirmos a importância de uma vida sincronizada — pessoal, familiar e profissional —, ela, visivelmente abalada, disse:

“Mestre Gutemberg, no aspecto familiar estou muito mal.”

Perguntei o que estava fora do eixo.

Ela respondeu:

“Perdi a admiração e o respeito pelo meu marido. Ele me sobrecarrega, me deixa nervosa e, pior ainda, está destruindo minha autoimagem e minha autoestima. Diz que estou muito gorda, entre outras palavras que me colocam abaixo de zero.”

Essa fala não é apenas um desabafo.

É um alerta.

Caro leitor(a), há momentos na vida de um casal em que a melhor decisão pode ser romper.

Não por impulso.

Mas por consciência.

Como ensina a sabedoria:

“É melhor morar sozinho no deserto do que viver em companhia de alguém contencioso e destrutivo.”

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Em determinadas situações, o divórcio pode representar um livramento.

Pode ser a abertura de uma porta para um novo ciclo — mais saudável, mais digno, mais alinhado com seus valores.

O divórcio nem sempre começa com discussões intensas.

Na verdade, muitas vezes ele começa com silêncio.

Com ausência.

Com desconexão.

O chamado “divórcio silencioso” é um afastamento emocional progressivo, onde duas pessoas continuam juntas por rotina, conveniência ou pelos filhos — mas já não compartilham intimidade, conexão ou propósito.

É a presença física sem presença emocional.

• Falta de comunicação verdadeira • Ausência de interesse pela vida do outro • Redução (ou ausência) de intimidade • Evitar passar tempo juntos • Ausência de conflitos — mas não de problemas • Sensação de solidão dentro da relação • Planos de vida desconectados

Por que isso acontece?

Rotina excessiva. Mágoas acumuladas. Falta de comunicação. Prioridades desalinhadas. Crescimento em direções diferentes.

Na maioria das vezes, não existe um grande problema.

Existe o acúmulo de pequenas desconexões.

É possível reverter?

Sim — desde que haja consciência e disposição de ambas as partes.

O primeiro passo é reconhecer.

O segundo é dialogar com verdade.

E, muitas vezes, buscar ajuda profissional.

Mas, em alguns casos, reconhecer também significa aceitar o fim.

E seguir em frente com respeito.

Relacionamentos não acabam de uma vez.

Eles se desgastam aos poucos.

No silêncio.

Na ausência.

Na falta de cuidado.

Por isso, o silêncio precisa ser ouvido.

E muitas vezes, ele diz mais do que qualquer discussão.

Finalizo com as palavras de Pablo Neruda:

“Se sou amado, quanto mais sou amado, mais correspondo ao amor. Se sou ignorado ou esquecido, devo ignorar e esquecer também, pois o amor é como um espelho: precisa refletir.”

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