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Sonia Mazetto

Inteligência espiritual na comunicação: o que dizemos quando escolhemos como falar

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Vivemos um tempo em que comunicar se tornou urgente. As respostas precisam ser rápidas, os posicionamentos constantes e a presença, quase obrigatória. No entanto, quanto mais aceleramos a comunicação, mais percebemos um esvaziamento de sentido. Falamos muito, mas será que estamos, de fato, nos comunicando?

É nesse contexto que surge uma reflexão necessária: a inteligência espiritual na comunicação. Diferente do que muitos pensam, inteligência espiritual não está necessariamente ligada à religião. Ela está relacionada à capacidade de atribuir sentido às experiências, agir com propósito, manter coerência entre valores e atitudes e, sobretudo, reconhecer a dimensão humana, e ética, presente em cada interação.

Quando levamos isso para a comunicação, o impacto é profundo. Comunicar com inteligência espiritual é ir além da técnica, da estratégia e até mesmo da emoção. É compreender que toda palavra carrega intenção, energia e consequência. É perceber que comunicar não é apenas transmitir uma mensagem, mas também revelar quem somos, no que acreditamos e como nos posicionamos diante do outro.

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Enquanto a inteligência emocional nos ajuda a lidar com sentimentos, a inteligência espiritual nos convida a refletir sobre o sentido daquilo que expressamos. Por que estou dizendo isso? Para que essa mensagem existe? O que ela constrói, ou destrói? Essas são perguntas que raramente fazemos no cotidiano acelerado da comunicação, mas que fazem toda a diferença na qualidade das relações que estabelecemos.

A ausência dessa consciência tem efeitos claros. Vemos discursos vazios, posicionamentos impulsivos, comunicação agressiva e relações cada vez mais superficiais. Muitas vezes, não é falta de conhecimento técnico, é falta de sentido. A inteligência espiritual resgata esse sentido, uma vez que ela nos convida a desacelerar antes de falar, a refletir antes de reagir e a considerar não apenas o impacto imediato da comunicação, mas também suas consequências no longo prazo.

Comunicar com essa consciência não significa ser perfeito ou evitar conflitos, significa ser responsável, alinhando discurso e prática, tendo consciência (e reconhecimento) que do outro lado da mensagem existe alguém que sente, interpreta e reage. Em ambientes profissionais, essa habilidade se torna ainda mais estratégica.

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Líderes que comunicam com inteligência espiritual tendem a gerar mais confiança, fortalecer vínculos e construir ambientes mais saudáveis. Instituições que adotam esse olhar conseguem se posicionar com mais coerência, evitando ruídos e crises desnecessárias. No campo da comunicação institucional, isso se traduz em algo essencial: autenticidade.

Porque, no fim, não é a mensagem mais bonita que se sustenta, é a mensagem que faz sentido. Talvez esse seja um dos maiores desafios do nosso tempo, resgatar o sentido da comunicação em meio ao excesso de fala. E isso começa em um lugar simples e, ao mesmo tempo, profundo… a consciência sobre o que dizemos.

Porque comunicar não é apenas falar, é escolher, todos os dias, que tipo de impacto queremos gerar no mundo.

Sonia Mazetto – Gestora de Potencial Humano, Terapeuta Integrativa, Fonoaudióloga e Palestrante

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Entre o café, o livro e o som, abril acontece

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Não começa pelo calendário. Começa pelo gesto.

A mão segura a xícara ainda quente, o aroma chega antes de qualquer pensamento e, por um instante, o mundo desacelera. É ali, nesse intervalo entre o primeiro gole e o que ainda virá, que abril se revela.

E não por acaso.

No dia 14, celebra-se o Dia Mundial do Café. Mas dizer apenas isso é pouco. O café, mais do que uma bebida, é um território de encontros. Ele atravessa continentes, constrói economias, sustenta rotinas e, principalmente, organiza afetos.

Alguns cafés são pausa.
Outros, reencontro.
E há aqueles que se tornam presente.

Presente no sentido mais simples e mais bonito. Um gesto. Uma lembrança entregue sem grandes explicações. E também presente como tempo vivido. Porque certas conversas só acontecem diante de uma xícara. Alguns silêncios só fazem sentido ali. E há histórias que começam, recomeçam ou se encerram com o café entre as mãos.

No Brasil, um dos maiores produtores do mundo, o café também é linguagem. Está na cozinha, nas esquinas, nos intervalos e nas conversas que não têm hora para acabar.

Por isso, também penso nele como um grão amado. Não só pelo nome, mas pelo que ele carrega.

Esse mesmo espírito atravessa o mês.

No dia 15, o calendário nos apresenta o Dia Mundial da Arte. Uma data que nasce para reconhecer a arte como elemento essencial da experiência humana. Instituída pela UNESCO, ela nos lembra que criar não é privilégio, é necessidade. A arte atravessa o tempo como linguagem universal, capaz de traduzir emoções, registrar histórias e provocar deslocamentos internos que nenhuma outra forma alcança.

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A xícara já não está tão cheia agora. E é curioso como, à medida que o café baixa, as ideias parecem ganhar mais espaço.

Então chega o dia 23.

De um lado, o Dia Mundial do Livro, criado para celebrar a literatura, os autores e o direito à leitura. A escolha da data remete à despedida de grandes nomes da literatura mundial, como Cervantes e Shakespeare. O livro se afirma como guardião de memória, como instrumento de transformação e como espaço onde o tempo pode ser vivido em outras velocidades.

Do outro lado, na mesma data, pulsa o Dia Nacional do Choro.

E aqui, o Brasil fala alto.

A escolha do dia é uma homenagem ao nascimento de Pixinguinha, figura central na construção da música popular brasileira. Maestro, arranjador, instrumentista, Pixinguinha ajudou a estruturar o choro como linguagem sofisticada, urbana e profundamente brasileira.

O choro, apesar do nome, não é tristeza. É encontro. É improviso. É diálogo entre instrumentos que se escutam. Surgido no século XIX, no Rio de Janeiro, ele mistura influências europeias com ritmos afro-brasileiros, criando uma das formas musicais mais ricas do país.

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Se o livro pede silêncio, o choro pede presença.

Não é coincidência que essas duas datas coexistam tão bem. Ambas são, no fundo, formas de contar histórias. Uma pela palavra, outra pelo som.

E ainda há o dia 20.

O Dia do Disco surge como uma pausa dentro da própria música. Uma lembrança de que ouvir também é um ato. Em tempos de consumo acelerado, o disco resgata o ritual. Escolher o que ouvir, dedicar tempo, respeitar o início, o meio e o fim.

Como o café.

A xícara agora chega ao fim. E é nesse momento que tudo parece se reorganizar por dentro.

Abril não é apenas um mês de datas comemorativas. Ele é um ponto de encontro entre diferentes formas de expressão e de existência.

O café reúne.
A arte provoca.
O livro aprofunda.
O choro conecta.
O disco ensina a escutar.

Se alguém me perguntasse, assim, sem aviso, o que abril representa, eu não responderia com datas.

Eu serviria mais uma xícara.
E, com o mesmo cuidado, viraria o disco.

Do lado A para o lado B, como quem entende que a vida também se escuta em partes, em ciclos, em recomeços.

Porque, no fim, sempre há mais a dizer.
Mais a ouvir. Mais a sentir.

E abril, quase sempre, pede só isso.

Que a gente permaneça um pouco mais.

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